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Juros futuros fecham em forte queda após ação conjunta do BC e do Tesouro

Victor Rezende
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No fim da sessão regular, a a taxa do DI para janeiro de 2025 cedeu de 6,55% para 6,41% e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 7,53% para 7,37% Os juros futuros encerraram os negócios desta terça-feira (13) em queda expressiva ao longo da curva, deixando em segundo plano o ambiente externo mais desafiador e a alta do dólar contra o real. O recuo firme das taxas intermediárias e longas se manteve ao longo de todo o pregão, em reação à ação conjunta entre Banco Central e Tesouro Nacional, que alterou a estratégia de oferta de títulos públicos e de rolagem das operações compromissadas, dando algum alívio aos títulos públicos no mercado secundário. No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 3,22% no ajuste anterior para 3,21% e a do DI para janeiro de 2023 recuou de 4,67% para 4,59%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 cedeu de 6,55% para 6,41% e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 7,53% para 7,37%. A ação conjunta anunciada na noite da última sexta-feira (9) entre o Banco Central e o Tesouro Nacional deu alívio aos juros futuros nesta terça-feira, no momento em que os riscos relativos à rolagem da dívida pública foram amenizados pelas medidas adotadas. A leitura do mercado é a de que a fixação de um limite máximo de R$ 600 bilhões pelo BC no leilão de rolagem de compromissadas com vencimento em 29 de outubro abre espaço para uma maior demanda por títulos públicos, em especial LFTs, no momento em que o Tesouro começará a ofertar papéis que vencem em 2022, e não mais em 2023. O resultado da operação conjunta entre BC e Tesouro foi eficaz não somente para derrubar os juros futuros, mas também as taxas das LTNs e das LFTs no mercado secundário. Durante a tarde, o spread entre as LTNs de longo prazo (para janeiro de 2024) e os DIs, que estava acima de 30 pontos-base na semana passada, recuava para 25 pontos-base. Já o deságio das LFTs de prazo mais longo (para setembro de 2026), que se aproximou de 0,5% no pico do estresse, chegou a operar em torno de 0,25%. “O mercado vinha trabalhando com um risco novo que não aparecia efetivamente desde 2002, que é o da rolagem de dívida. Quando esse risco começa a aumentar, ou o investidor pede por mais prêmio pelos títulos ou ele busca alternativas, como ocorreu com as compromissadas”, diz Carlos Menezes, gestor de renda fixa da Gauss Capital. Para ele, a adoção de um limite de R$ 600 bilhões no leilão de rolagem de compromissadas para 29 de outubro deve fazer com que a demanda pelos títulos volte a crescer diante do caixa que será disponibilizado pelas compromissadas. “Esse volume de compromissadas prestes a vencer e que não serão roladas faz com que os investidores procurem outro tipo de ativo e boa parte dessa remuneração deve acabar migrando para as LFTs”, afirma o gestor da Gauss. Para Menezes, o Tesouro pode ter algum alívio na emissão de títulos, que vinham apresentando taxas muito altas, e, além disso, o mercado, que vinha bastante preocupado com a rolagem da dívida no curto prazo diante de um vencimento expressivo de títulos no primeiro semestre de 2021, tende a ficar um pouco mais calmo no curto prazo.