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Juros futuros fecham em alta com IBC-Br e dólar próximo a R$ 4,20

Victor Rezende

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 subiu de 4,39% para 4,45% e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 6,32% para 6,43% Números acima do esperado do IBC-Br em novembro se somaram ao dólar novamente próximo de R$ 4,20 e geraram forte recomposição de prêmio de risco na curva de juros futuros nesta quinta-feira (16). Com giro forte, as taxas de alguns dos principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) reverteram toda a queda observada ontem, num movimento atribuído por alguns profissionais do mercado a fatores técnicos.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 subiu de 4,39%, no ajuste anterior, para 4,45%; a do contrato para janeiro de 2022 foi de 4,99% para 5,10%; a do DI para janeiro de 2023 saltou de 5,56% para 5,68% e a do contrato para janeiro de 2025 avançou de 6,32% para 6,43%.

“O movimento do dólar, que chegou perto de R$ 4,20, desencadeou uma piora nos juros. O avanço das taxas é continuidade da alta do dólar. O movimento contaminou a curva hoje”, disse um gestor, que preferiu não se identificar. Para ele, apesar de ser cedo, é possível dizer que o estresse no câmbio diminui a propensão do BC de cortar mais a taxa de juros.

Outro gestor que também preferiu não se identificar acredita que o movimento é mais técnico. “Os fundos estão bastante aplicados e se empolgaram ontem, após os dados bem abaixo do esperado do varejo”, afirmou. Assim, hoje, há uma diminuição de posições após o IBC-Br acima do esperado em novembro. O indicador subiu 0,18% entre outubro e novembro e contrariou a projeção do mercado, que indicava queda de 0,1% na mesma base comparativa.

Economista sênior da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia acredita que o índice “apoia a nossa visão de que a economia tem sido bastante resistente a choques externos e domésticos”, mas ressalta que a recuperação da economia ainda é “modesta e frágil”. Para ele, não se pode dizer que há uma retomada “sustentada e acelerada” da atividade econômica.

Já os analistas da XP Investimentos dizem que “o bom resultado de hoje não será suficiente para compensar os resultados mais fracos dos principais indicadores em novembro”. Nesse sentido, eles continuam a projetar que o Banco Central efetuará um corte de 0,25 ponto percentual na Selic no mês que vem, levando o juro básico a um novo piso histórico.

A probabilidade de o Tesouro Nacional ofertar um montante considerável de títulos mais longos, principalmente pensando em 2031, também é algo monitorado pelos agentes do mercado. O montante de 750 mil NTN-F para 2031 foi tomado por completo hoje. “Com isso, a curva abriu e voltou a empinar”, disse Luis Laudisio, trader de renda fixa da Renascença.

A tabela do frete também esteve no radar dos investidores. Na tarde desta quinta, o jornal “O Globo” informou que a ANTT publicou a nova tabela com o preço mínimo para os fretes. No cálculo do frete foram incluídos gastos com refeições e hospedagem. Para um operador, “esse fato pode ter iniciado uma zeragem de posições concentrada no DI para janeiro de 2021”.