Mercado fechará em 6 h 36 min

Juros futuros fecham em alta com dados de emprego dos EUA

Victor Rezende

O movimento foi apoiado também por comentários do diretor de Política Econômica do BC que disse que os membros do Copom têm visões diferentes quanto a testar o “lower bound” O otimismo observado nos mercados de ações e de câmbio teve reflexo diferente na curva a termo de juros futuros, nesta sexta-feira (5). O forte resultado do relatório de empregos (o chamado "payroll") dos Estados Unidos colocou dúvidas nos agentes quanto à necessidade de estímulos adicionais e fez com que as taxas futuras fechassem em alta.

O movimento foi apoiado, ainda, por comentários do diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, ao dizer que os membros do Copom têm visões diferentes quanto a testar o “lower bound” (limite efetivo mínimo para a taxa de juros).

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 2,17% no ajuste anterior para 2,18%; a do DI para janeiro de 2022 subiu de 3,01% para 3,09%; a do contrato para janeiro de 2023 saltou de 4,07% para 4,16%; a do DI para janeiro de 2025 avançou de 5,71% para 5,79%; e a do contrato para janeiro de 2027 foi de 6,71% para 6,76%.

Ao participar de “live” promovida pela XP Investimentos, nesta sexta, Kanczuk disse que, pessoalmente, tem mais apetite para testar os limites de baixa dos juros, mas ressaltou que outros membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC têm menos apetite. “Dentro do Copom, as pessoas têm apetite diferente a testar a fronteira”, disse. “A fronteira é diferente [na visão dos diferentes membros do Copom] e o apetite é diferente. Eu mesmo vejo que tem que caminhar com cuidado, não é algo imutável. Eu tenho um pouco de apetite de testar.”

Os sinais mais recentes emitidos pelo BC, em especial por Kanczuk, fizeram com que, nos últimos dias, mais agentes do mercado apostassem em queda da Selic para níveis inferiores a 2,25% após a reunião de junho. O economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, por exemplo, acredita que o alívio recente nas condições financeiras e as expectativas de inflação abaixo da meta dão aval para que o Copom vá além no ciclo de afrouxamento. Em seu cenário-base, ele vê o juro inalterado em 2,25% em agosto, mas atribui cerca de 50% de chance para um novo corte na Selic.

“É evidente que a redução de prêmio de risco ajuda muito, mas estou bastante dividido”, diz. Para Chermont, uma das interpretações erradas de parte do mercado antes da reunião de maio do Copom foi a de atribuir culpa à política monetária pela depreciação cambial e pela curva de juros mais inclinada. “Pelo que estou vendo nos discursos do BC, ele concorda que o que está por trás do movimento é o risco fiscal, não a política de juros. O Copom cortou, virtualmente, 1,5 ponto percentual de juros e o câmbio saiu de R$ 6 para R$ 5, enquanto a curva desinclinou bastante”, diz o economista.

O cenário externo, de fato, tem contribuído para aliviar as condições financeiras. O dólar, hoje, voltou a operar abaixo de R$ 5, enquanto o risco país medido pelo CDS de cinco anos voltou para 201 pontos à tarde, de acordo com a IHS Markit. O que catapultou a busca desenfreada por risco nesta sexta-feira foi o payroll de maio, comemorado aos quatro ventos pelo presidente americano, Donald Trump.

O mercado esperava uma destruição de mais de 8 milhões de postos de trabalho em maio, mas foram criadas 2,5 milhões de vagas, de acordo com o relatório do Departamento do Trabalho. Além disso, a expectativa de que a taxa de desemprego subisse a 19,5% também não se concretizou e o indicador caiu de 14,7% em abril para 13,3% no mês passado.

A economista-chefe da Grant Thornton, Diane Swonk, afirma que os dados são “bem-vindos” e sugerem que a economia americana pode ter atingido o vale em maio, apenas dois meses após o início da crise. Ela, contudo, ressalta que as perdas “continuam significativas”. “Perdemos 1,4 milhão de empregos antes mesmo de qualquer Estado entrar em confinamento. Qualquer aumento no contágio pode desencadear a mesma resposta sem interrupções adicionais. A fadiga fiscal também é uma preocupação, já que milhões perderão os benefícios de desemprego em 31 de julho se o Congresso deixar de estender os benefícios”, diz.