Mercado fechará em 1 h 22 min

Juros futuros fecham em alta firme, guiados por exterior e riscos fiscais

Victor Rezende
·3 minutos de leitura

No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2022 passou de 2,96% no ajuste anterior para 2,99% e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 4,38% para 4,44% Os juros futuros se afastaram das máximas do dia na segunda etapa dos negócios nesta segunda-feira (21), mas se mantiveram em alta firme ao longo da curva a termo. Os riscos fiscais e a incerteza quanto ao financiamento da dívida pública continuaram no radar dos agentes e se somaram ao tom negativo dos negócios no exterior, o que contribuiu para uma forte incorporação de prêmio de risco nos trechos intermediários e longos da curva de juros brasileira. No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 2,96% no ajuste anterior para 2,99% e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 4,38% para 4,44%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 saltou de 6,30% para 6,40% e a do DI para janeiro de 2027 avançou de 7,28% para 7,38%. O escândalo que envolve supostos esquemas de lavagem de dinheiro por grandes bancos, o impasse nas discussões em torno de um novo pacote de estímulos econômicos nos Estados Unidos e os temores quanto a uma segunda onda de covid-19 em solo europeu geraram forte aversão a risco nos mercados internacionais nesta segunda. Com os ativos de mercados emergentes pressionados, a curva de juros tem um novo dia de abertura, após a forte alta vista já na semana passada. Como nota a equipe de estratégia de renda fixa do Bradesco BBI, a curva de juros já encerrou a semana passada com abertura significativa das taxas, tendo em vista que que a parte longa continua a ser influenciada por questões fiscais. Sem novidades que fizessem a inclinação diminuir, houve ainda, “aumento da instabilidade entre a equipe econômica e o Planalto, adicionando mais incertezas, o que ajudou a pressionar a parte longa da curva para cima”. Os temores continuam no ar e colocam dúvidas, ainda, quanto à estratégia que o Tesouro Nacional irá adotar para gerenciar a dívida pública. No momento, o mercado tem pedido por prêmios cada vez mais elevados nos leilões de títulos públicos feitos pelo Tesouro. Na avaliação do diretor-executivo da Sparta, Ulisses Nehmi, com a Selic nas mínimas históricas, os investidores muitas vezes não têm demanda por ativos como alguns títulos públicos. “Se o governo precisa colocar mais títulos, vai precisar colocar a uma taxa maior. É um sinal de que não adianta forçar muito a mão na taxa de juros”, diz. Para ele, se por um lado a expectativa de inflação está ancorada e, ao mesmo tempo, se deseja estimular a economia, por outro a dívida pública aumentou e há, ainda, outras questões fiscais e de risco que não colaboram com a rolagem da dívida pública pelo governo. “Cria-se um descompasso. Nesse nível de taxa de juros, eventualmente os investidores não têm tanto apetite pelos títulos”, diz Nehmi. No fim do dia, a curva de juros se acomodou um pouco e abandonou as máximas do dia. Vale lembrar que, amanhã, às 8h, será divulgada ata da reunião de semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que pode dar ainda mais ênfase na percepção de que a política monetária é uma passageira de um avião pilotado pela política fiscal, no momento.