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Juros futuros fecham em alta com exterior negativo e IPCA-15

Victor Rezende
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A nova rodada de aversão ao risco dos mercados globais levou investidores a voltar a incorporar prêmio de risco aos juros futuros nesta quarta-feira (23). De olho também nos números acima do esperado para o IPCA-15 de setembro, bem como a falta de novidades sobre a questão fiscal doméstica, as taxas subiram em todos os vértices da curva. No encerramento da sessão regular, às 16h, o contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu a 2,97%, de 2,92% no ajuste anterior, enquanto que o DI para janeiro 2023 avançou de 4,35% para 4,44%. Já o rendimento do DI janeiro/2025 anotou alta de 6,30% para 6,42% e o yield do contrato para janeiro de 2027 passou de 7,26% para 7,38%. Lá fora, houve também alguma reação negativa após comentários desencontrados do presidente da distrital de Chicago do Federal, Charles Evans. O dirigente disse ontem que o banco central americano poderia elevar os juros antes que a inflação atinja 2% em média. Pela manhã, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, disse o contrário, ao afirmar que a autoridade não pretende elevar os juros quando a inflação atingir 2%. O impasse sobre o novo pacote fiscal no Congresso americano também pesou sobre ativos de risco. Em linha com a depreciação do real e com o recuo do Ibovespa, a curva de juros voltou a ficar mais inclinada, em um novo dia de abertura de taxas no mercado secundário de títulos públicos, no momento em que a cautela com os próximos passos do Tesouro Nacional continua em vigor. Os ruídos em torno da perspectiva para as contas públicas continuam no foco dos agentes, que esperavam os resultados de uma reunião entre o governo e líderes congressistas. Diante das incertezas, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou, mais cedo, apenas que o governo irá construir o texto da reforma tributária e encaminhará ao Congresso posteriormente. Ele disse ainda que o objetivo do governo é terminar o ano com a reforma tributária, a administrativa e o pacto federativo aprovados. Há, contudo, dúvidas do mercado em relação à aprovação das reformas e, especialmente, na forma de financiamento do Renda Brasil. Nesse ínterim, o operador da Tesouraria de um banco relatou um novo dia de estresse no mercado de LFT, papel atrelado à Selic. “Apesar da sinalização do leilão da semana passada ter sido a de que as emissões de LFTs não serão a qualquer custo, o mercado acredita que, em algum momento, o Tesouro terá de ceder, em um cenário que não existem compradores, para rolar os mais de R$ 400 bilhões em LFTs que vencem no ano que vem”, diz. Por aqui, o IPCA-15 também ajuda a colocar as taxas em alta, ao vir acima do esperado. Diante do cenário de inflação de curto prazo mais alta, apesar dos núcleos bastante contidos, e dos riscos fiscais que ainda batem à porta, o mercado tem deixado em segundo plano o “forward guidance” (orientação futura) do Banco Central, como nota o estrategista Juan Prada, do Barclays, que espera que esse cenário se mantenha no curto prazo. Ele recomenda aposta que mostre inclinação da curva, com posição aplicada no DI para janeiro de 2023 e tomada no DI para janeiro de 2025.