Mercado fechado

Juros futuros fecham em alta após leilão do Tesouro

Victor Rezende
·3 minuto de leitura

A abertura das curvas no mundo, atrelada ao salto recente dos rendimentos dos títulos longos do Tesouro americano (Treasuries), também influenciou no mercado de juros O leilão de títulos públicos do Tesouro Nacional foi, novamente, o principal “driver” para o mercado de juros nesta quinta-feira (22). A opção do Tesouro de reduzir a oferta de LTN e aumentar a de NTN-F fez com que o risco colocado no mercado fosse um pouco menor do que no leilão da semana passada, mas colocou pressão nos trechos de mais longos da curva de juros, que voltou a ganhar inclinação. O processo foi ajudado, ainda, pela abertura das curvas no mundo, em um movimento atrelado ao salto recente dos rendimentos dos títulos longos do Tesouro americano (Treasuries), que continuaram a subir com firmeza. No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 3,25% no ajuste anterior para 3,26% e a do DI para janeiro de 2023 avançou de 4,58% para 4,64%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 escalou de 6,37% para 6,47% e a do DI para janeiro de 2027saltou de 7,28% para 7,39%. Ao contrário da semana passada, em que ofertou 7 milhões de LTNs de longo prazo (para janeiro de 2024), o Tesouro optou por reduzir a quantidade ofertada desse papel e aumentar a quantidade de NTN-F. A oferta de prefixados mais longos pulou de 300 mil na semana passada para 2,5 milhões hoje e o Tesouro conseguiu vender o lote integral. No entanto, no mercado de juros, as taxas longas reagiram em alta expressiva, tanto que a taxa do DI para janeiro de 2031 avançou 15 pontos-base, para 8,25%. O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, nota que a expectativa do mercado para o leilão de hoje era a de uma oferta maior de LTNs, com uma quantidade similar à de semana passada. “Quando os editais saíram e, após o resultado, vimos esse processo de inclinação [da curva], com a parte curta mais comportada e a ponta longa subindo um pouco mais”, afirma. Já em relação às LFTs, a oferta caiu à metade em relação à semana passada e, dos 500 mil papéis colocados à disposição do mercado, o Tesouro vendeu 73,8%, sendo 140 mil LFTs com vencimento em março de 2022. Nos últimos dias, o mercado secundário de LFT, inclusive, começou a ver uma taxa de deságio um pouco maior em títulos com vencimentos mais longos. Hoje, a taxa da venda de 229,2 mil LFTs para março de 2027 ficou em 0,3100%. Na semana passada, a taxa estava em 0,2300%. A expectativa do Tesouro é a de que uma demanda maior pelas LFTs mais curtas possa aparecer na semana que vem, diante do vencimento elevado de compromissadas, cujo volume não será rolado integralmente, ação adotada pelo Banco Central após a ação conjunta com o Tesouro. Sanchez nota que, com o vencimento mais curto, as LFTs ganharam consistência maior, mas ressalta que o mercado continua não querendo entrar totalmente em papéis com taxa flutuante. “Essa é uma das mensagens possíveis de se colher após o leilão de hoje”, diz. O leilão não agiu sozinho para deixar a curva de juros mais inclinada nesta quinta-feira. O fator externo também foi colocado à mesa, já que lá fora a abertura das taxas dos Treasuries de longo prazo teve continuidade hoje e pressionou, novamente, os mercados de renda fixa ao redor do globo. Considerando títulos de dez anos, o rendimento do Bund alemão subiu para -0,567%; o retorno do BTP italiano avançou para 0,809%; o yield do OAT francês escalou a -0,283%; e, mais cedo, a taxa do bônus do governo japonês (JGB) de dez anos subiu para 0,036%.