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Juros futuros disparam após apresentação do programa Renda Cidadã

Victor Rezende
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O Renda Cidadã é o programa do governo Bolsonaro que pretende substituir e ampliar o Bolsa Família Os temores em relação à sustentabilidade das contas públicas voltaram de vez ao foco dos investidores nesta segunda-feira (28) e geraram forte abertura das taxas futuras de juros ao longo de toda a curva a termo após a apresentação do Renda Cidadã, programa do governo Bolsonaro que pretende substituir e ampliar o Bolsa Família. No momento de maior estresse do dia, os retornos de alguns vértices chegaram a registrar salto de mais de 0,50 ponto percentual, o que deixou a curva ainda mais inclinada. No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 2,85% no ajuste anterior para 3,01% e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 4,23% para 4,51%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 saltou de 6,22% para 6,56% e a do DI para janeiro de 2027 escalou de 7,21% para 7,56%. Divulgado no início da tarde, o Renda Cidadã gerou calafrios no mercado e fez com que as tensões diante de um cenário de maior endividamento voltassem ao radar. Os juros futuros “explodiram” ao longo da curva, que passou a apresentar inclinação superior, até mesmo, aos níveis de março. No fechamento da sessão regular, a diferença entre as taxas dos DIs para janeiro de 2022 e de 2027 estava em 4,55 pontos percentuais. A ausência de uma proposta firme de reforma tributária e as fontes de financiamento do Renda Cidadã — Fundeb e precatórios — foram mal avaliadas pelos profissionais do mercado e resultou no aperto das condições financeiras. “É muito malabarismo para justificar uma ação. Está claro que o presidente ainda não está disposto a desagradar alguns. O mercado gostaria de ver propostas de soluções permanentes do lado da despesa”, afirma o economista-chefe da Macro Capital, Thiago Pereira. Ele lembra que o grande desafio que o Brasil tem pela frente está na situação fiscal, especialmente no teto de gastos e sua manutenção no ano que vem e em 2022. Com a solução do governo para o Renda Cidadã, Pereira afirma que o mercado se mostra temeroso quanto à sustentabilidade fiscal do país. “Se essa foi a ação tomada pelo governo para viabilizar o projeto, fica uma dúvida muito grande mais à frente com o desejo e a capacidade do presidente em fazer ajustes”, diz o economista. Antes mesmo do anúncio do programa, o rumo das contas públicas já estava no foco dos agentes financeiros, após comentários do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, sobre o teto de gastos. Em entrevista ao “Poder 360”, ele disse que uma mudança no teto deve ser debatida somente em 2022. “É uma discussão que certamente vai levar em consideração a realidade da aplicação da regra do teto ao longo de cinco anos, o sexto ano será 2022, e se o teto cumpriu suas funções iniciais.”