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Juros futuros despencam com ação de BCs no foco

Victor Rezende

Taxa curta opera abaixo de 4% pela primeira vez Diante dos temores relacionados ao impacto do novo coronavírus na economia global, a expectativa de uma ação sincronizada dos bancos centrais ao redor do globo faz com que os juros futuros operem em queda expressiva nesta segunda-feira. O destaque fica com a taxa de curto prazo, que, pela primeira vez, fica abaixo de 4%, com os agentes financeiros já precificando ações futuras do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

Às 9h45, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caía de 4,09% no ajuste anterior para 3,925%; a do DI para janeiro de 2022 despencava de 4,59% para 4,31%; a do contrato para janeiro de 2023 recuava de 5,24% para 4,99%; e a do DI para janeiro de 2025 cedia de 6,14% para 5,94%. No mesmo horário, o dólar à vista subia 0,41%, para R$ 4,4993.

BCs se comprometem a garantir a estabilidade dos mercados

Investidores seguem preocupados, mas BCs geram alívio

“O BC deixou claro, no início do mês, que pretendia interromper o ciclo, mas, de lá para cá, algumas coisas aconteceram”, diz Pedro Dreux, gestor da Occam Brasil, referindo-se à expansão econômica mais lenta do que o esperado e ao impacto do novo coronavírus na economia global. Para Dreux, mesmo depois de o Copom ter deixado a barra alta para novos cortes na Selic, “uma evolução mais dramática da questão externa pode forçar o BC a voltar com os cortes”.

Na sexta-feira passada, surpreendeu o índice de gerentes de compras (PMI) oficial da indústria chinesa ter caído a 35,7 pontos em fevereiro, em níveis de contração bastante abaixo do esperado pelos mercados (43 pontos). Já hoje, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse que a economia global está sob risco e passou a projetar um crescimento de 2,4% em 2020.

No CME Group, já há 100% de apostas de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) promoverá um corte de 0,50 ponto percentual nos juros na reunião de 18 de março. Para o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, a declaração do presidente do Fed, Jerome Powell, na sexta-feira passada, sugere que os bancos centrais globais estão “intensamente focados” nos riscos negativos vindos do novo coronavírus.

“Suspeitamos que eles considerem o impacto de um movimento coordenado na confiança maior do que a soma dos impactos de cada movimento individual”. Se isso ocorrer, o Goldman acredita que “alguns bancos centrais para os quais estamos projetando um primeiro corte de 0,25 ponto em nosso cenário base possam se juntar ao Fed na redução de 0,50 ponto”. Como exemplos, estão as autoridades monetárias da Nova Zelândia e da Austrália, além de Reino Unido e Canadá.