Mercado fechará em 6 h 30 min

Juros futuros de curto prazo vão às mínimas históricas com dados do varejo

Victor Rezende

As taxas dos DIs para janeiro de 2021 e janeiro de 2022 anotaram novos pisos históricos a 4,22% e 4,80%, respectivamente A frustração com os dados de dezembro do comércio varejista pressionou os juros futuros que recuaram nesta quarta-feira (12) e foram às mínimas históricas nos vértices de curto prazo, apesar do dólar testar novos níveis recordes, a R$ 4,35, o que limitou a queda das taxas futuras no longo prazo.

De acordo com o IBGE, as vendas no varejo restrito caíram 0,1% na passagem de novembro para dezembro, enquanto no segmento ampliado o recuo foi de 0,8%. Ambas as leituras vieram abaixo do consenso do mercado e fizeram ressurgir as apostas de medidas adicionais de estímulo ainda este ano, mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicar o plano de interromper o processo de afrouxamento monetário.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 cedeu de 4,24% no ajuste anterior para 4,22%, nova mínima histórica de fechamento; a do DI para janeiro de 2022 recuou de 4,85% para 4,80%, também novo piso histórico; a do contrato para janeiro de 2023 caiu de 5,42% para 5,38%; e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,07% para 6,04%.

“A ata da reunião do Copom de fevereiro foi bem cautelosa e o BC continuou a endossar o fim do ciclo de cortes nos juros, embora cite os efeitos do coronavírus e alguma decepção com a recuperação econômica. Entendemos que o Copom fechou a porta no comunicado, mas reabriu um pouco na ata”, afirmou Marcos Ross, economista sênior da XP Investimentos. Para ele, embora o cenário base continue a ser o de juro básico a 4,25% até o fim do ano, “os dados fracos deram força à possibilidade de novos cortes na Selic”.

Na avaliação da XP, se os dados de atividade continuarem a surpreender negativamente, o BC pode corrigir a comunicação para abrir espaço para mais um corte na Selic já no próximo mês. Ross, no entanto, avalia que, para manter a credibilidade, o BC poderia optar por deixar a decisão sobre redução para maio, quando o Copom terá em mãos um volume de informações maior para avaliar o processo de recuperação da atividade.

Assim, embora Ross veja que existem chances de uma redução da Selic em maio, ele avalia ser muito cedo para cravar se o BC deve seguir com medidas de afrouxamento. Da mesma forma, o economista-chefe do Haitong, Flavio Serrano, pontua que faz sentido o mercado precificar juros mais baixos, mas também mantém inalterada a projeção de Selic a 4,25% em 2020.

“Se o cenário se mantiver da forma como imaginamos, a taxa de juros deve continuar estável. As condições para a recuperação da economia estão dadas e a probabilidade de novos cortes é muito baixa”, disse Serrano. Ao observar o comportamento do mercado, ele aponta, ainda, que o movimento dos investidores tem sido o de “limpar” a possibilidade de alta dos juros em 2020, o que é possível ver nas mínimas históricas das taxas de curto prazo no mercado de juros futuros.

Economista do BTG Pactual, Lilian Ferro também é adepta da visão de que as taxas devem permanecer em níveis baixos por um período prolongado. “Temos elementos que nos fazem acreditar que a fraqueza da atividade no fim do ano passado se deve a choques específicos e, assim, o horizonte para a política monetária no curto prazo deveria continuar inalterado”, afirmou. Ela aponta para o tom de cautela adotado pelo Copom e ressalta que o BTG mantém a expectativa para a Selic, mesmo com os dados mais fracos que fizeram o banco revisar a projeção para o PIB de 2020 de 2,5% para 2,2%.

A estrategista You-Na Park-Heger, do Commerzbank, diz acreditar, no entanto, que o Copom deve reagir aos dados econômicos. “Portanto, se a situação se deteriorar inesperadamente, o BC deve reavaliar a conjuntura. Os cortes nos juros poderiam reaparecer facilmente na agenda neste momento. Não é o que esperamos, mas é provável que seja uma das razões pelas quais o real está sob pressão de depreciação tão pronunciada no momento.”