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Juros futuros de curto prazo fecham na mínima histórica

Victor Rezende

No fim do pregão regular, a taxa do DI para janeiro de 2021 recuou de 4,15% para 4,095% e a do DI para janeiro de 2022 cedeu de 4,66% para o piso histórico de 4,59% Com os temores relacionados à disseminação do novo coronavírus no centro das atenções dos agentes financeiros, o dólar voltou a ultrapassar a marca de R$ 4,50 nesta sexta-feira (28), o que conferiu viés de alta aos juros futuros de prazo mais longo. Nos vértices mais curtos da curva a termo, porém, as taxas encerraram a sessão regular em queda firme, diante da visão de que estímulos adicionais podem ser necessários para dar apoio à economia global.

No fim do pregão regular desta sexta, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 recuou de 4,15% no ajuste anterior para 4,095%, nova mínima histórica; a do DI para janeiro de 2022 cedeu de 4,66% para o piso histórico de 4,59%; a do contrato para janeiro de 2023 caiu de 5,27% para 5,24%; e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 6,12% para 6,14%.

Nesta sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco do novo coronavírus para “muito alto”. O movimento ocorre diante da percepção de que a doença deve gerar impactos mais fortes do que o esperado na economia global. “As próximas semanas provavelmente apresentarão um rápido crescimento nos casos confirmados na Europa e nos Estados Unidos”, escreve Lara Mohtadi, analista de macroeconomia do banco sueco SEB.

Para ela, do ponto de vista dos indicadores econômicos, ainda é muito cedo para observar impactos mais fortes fora da China. “O índice de gerentes de compras (PMI) chinês, que sairá no fim de semana, será um primeiro teste do quão severo será o impacto no crescimento”, afirma a economista. Por enquanto, com as expectativas de crescimento mais baixo, o dólar opera em alta firme ante moedas de mercados emergentes, ao mesmo tempo em que as curvas de juros globais indicam medidas adicionais de afrouxamento monetário.

Como exemplo, os contratos futuros dos Fed funds, compilados pelo CME Group, indicam que a probabilidade implícita de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros em março está em 100%. Por aqui, as taxas dos DIs de curtíssimo prazo apresentaram queda firme, embora o mercado continue a indicar chance majoritária de a Selic permanecer inalterada em 4,25% na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Para os economistas do BTG Pactual digital, o BC deve continuar a ter uma postura mais intervencionista no mercado de câmbio. “É importante comentar que já existem estudos sinalizando que, a partir de R$ 4,50, o impacto do câmbio no IPCA começa a ter um peso mais significativo, o que prejudicaria ainda mais a economia brasileira que manteria seu crescimento baixo com uma elevação na expectativa de inflação”, afirmam.