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Juros futuros de curto prazo batem mínimas históricas de olho na Selic

Victor Rezende

A a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 cedeu de 4,35% para 4,31%, novo piso histórico Diante do entendimento de que a inflação continuará bem-comportada ao longo deste ano, o mercado de juros continuou a dar atenção à possibilidade de continuidade da política de flexibilização monetária do Banco Central. Assim, as taxas de juros negociadas no mercado futuro tiveram um novo dia de queda nesta segunda-feira (27), com direito a novas mínimas históricas no trecho curto da curva a termo.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 cedeu de 4,35%, no ajuste anterior, para 4,31%, novo piso histórico; a do DI para janeiro de 2022 caiu de 4,99% para 4,92%; a do contrato para janeiro de 2023 passou de 5,56% para 5,50%; e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 6,30% para 6,27%.

Coletas diárias de inflação repassadas por profissionais do mercado mostram que o IPCA ponta desacelerou de 0,37%, na última quinta-feira (23), para 0,32%, na sexta-feira (24) passada, sendo que a alta do grupo de alimentação perdeu ainda mais força, ao passar de 0,42% para 0,20%. Também hoje, a Fipe informou que a inflação na cidade de São Paulo desacelerou para 0,32% na terceira leitura de janeiro, após ter ficado em 0,41% na segunda medição do mês.

Esses movimentos corroboram a visão de analistas de que a inflação tende a ficar mais comportada nos próximos meses, o que pode fazer com que o BC vá adiante com o ciclo de afrouxamento, com ao menos mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros. O Boletim Focus já indica que o cenário de inflação mais fraca em 2020 ganhou fôlego entre os investidores. O ponto médio das projeções do mercado para o IPCA em 2020 caiu de 3,56% para 3,47%, enquanto a mediana das estimativas para a Selic no fim deste ano voltou a indicar a taxa básica de juros em 4,25%.

Em relatório enviado a clientes, os economistas da Bradesco Asset Management (Bram) notam que o IPCA-15 de janeiro mostrou desaceleração em relação aos resultados de dezembro diante do arrefecimento nos preços de alimentos. Além disso, para eles, a alimentação fora do domicílio foi o principal item a pressionar núcleos e serviços, mas deve perder fôlego em breve. Assim, a Bram cortou sua estimativa para o IPCA em 2020 de 3,7% para 3,5% e passou a projetar a Selic em 4,25% contra um cenário de manutenção em 4,5% esperado anteriormente.

O economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, também passou a ver maior chance de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros em fevereiro. “Como acreditamos que o Copom não gostaria de introduzir ruídos e surpreender os mercados e causar um aperto abrupto nas condições financeiras, prevemos que o BC realmente esteja inclinado a entregar um corte de 0,25 ponto percentual”, disse o economista.

Já o economista-chefe do banco Fibra, Cristiano Oliveira, prevê dois novos cortes de 0,25 ponto na Selic este ano, diante das estimativas de inflação sob controle. “Julgamos que fatores como a sólida ancoragem das expectativas, a recuperação apenas gradual da economia e o ambiente internacional bastante favorável à política monetária expansionista justificam a continuidade do ciclo de cortes dos juros”, escreveu Oliveira. O Fibra cortou sua projeção de inflação para 2020 de 3,3% para 3%.

No campo externo, os temores relacionados ao avanço do coronavírus estiveram no centro das atenções dos agentes do mercado. Às 16h, o spread entre os rendimentos das T-Notes de 10 e de 2 anos estava em apenas 16,8 pontos-base. O dia, inclusive, foi de queda firme dos rendimentos (yields) de outros bônus soberanos, como os OATs franceses, os Bunds alemães e os Gilts britânicos.