Juros futuros começam negócios em queda

A retirada de uma barreira para a entrada de dólares no Brasil, conforme medida cambial anunciada nesta quarta-feira, contribui para nova queda dos juros futuros na abertura dos negócios. Porém, após as fortes perdas registradas na terça-feira (04), pela terceira sessão seguida, as taxas podem ensaiar alguma recuperação ao longo do dia, em meio ao otimismo no exterior.

Às 10 horas, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,07%, de 7,09% no ajuste de terça-feira (04); o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 7,56%, na mínima, de 7,60% na véspera; e o DI para janeiro de 2016 marcava 8,14%, de 8,17% na terça-feira (04). Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 8,49%, de 8,53% e o DI para janeiro de 2021 apontava 9,22%, de 9,25% no ajuste da véspera.

O gerente de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, prevê que os DIs voltem a acompanhar o dólar. "A princípio, a curva (a termo) continua a fechar um pouco", com a medida do governo reduzindo o fluxo de moeda americana para o País e, com isso, contendo a valorização do dólar, segundo Petrassi. Às 10 horas, o dólar à vista negociado no balcão caía 0,47%, a R$ 2,107. Às 12h30, o Banco Central divulga dados sobre o fluxo cambial em novembro.

Por outro lado, a queda dos DIs deve ser reduzida, depois das fortes perdas registradas desde a divulgação do fraco Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro na última sexta-feira (30/11). Petrassi também chama a atenção para o incômodo com a inflação, apesar do arrefecimento do dólar. "A coleta diária forte limita o fechamento da curva", afirma o gerente da Leme, referindo-se ao monitor diário da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que simula a evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O índice no critério ponta acelerou entre os dias 3 e 4, de 0,88% para 0,94%.

Ainda no âmbito da inflação, vale lembrar que, na terça-feira (04), o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, informou que a redução média na conta de luz a partir do início de 2013 será de 16,7%. O número é menor que os 20,2% estimados inicialmente pelo governo dentro do projeto de redução dos custos de energia.

A melhora do cenário internacional também exerce influência positiva sobre os DIs, avalia o Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas do Bradesco. Os principais mercados acionários reagem em alta à declarações positivas de autoridades da China sobre a economia do país e ao índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços chinês, que caiu a 52,1 em novembro, de 53,5 em outubro, mas ainda indica que a atividade no setor continuou a se expandir. O resultado melhor que o esperado do PMI de serviços da zona do euro também contribui para o movimento, apesar da queda de 1,2% das vendas do varejo do bloco em outubro na comparação com setembro.

A direção dos negócios também depende de importantes indicadores econômicos a serem divulgados nos EUA, entre eles a pesquisa ADP sobre postos de trabalho criados no setor privado dos EUA em novembro (11h15), em meio às negociações sobre a situação fiscal do país.

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