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Juros futuros caem a níveis inéditos com percepção de Selic baixa por mais tempo

Victor Rezende

A taxa do DI para janeiro de 2022 cedeu de 4,83% para 4,73%, novo piso histórico,e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 6,08% para 5,96% O entendimento de que a taxa básica de juros deve continuar em níveis baixos por um período prolongado voltou a guiar os investidores nesta sexta-feira (14) e fez com que os juros futuros chegassem ao fim do pregão regular nas mínimas históricas, com exceção dos vértices de prazo mais curto. O encontro trimestral de economistas com diretores do Banco Central serviu para apoiar essa ideia, no momento em que as projeções de inflação se mantêm benignas e em que a atividade resiste a mostrar firmeza.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 4,26%, no ajuste anterior, para 4,235%; a do DI para janeiro de 2022 cedeu de 4,83% para 4,73%, novo piso histórico; a do contrato para janeiro de 2023 caiu de 5,41% para 5,27%, também na mínima histórica, assim como a do DI para janeiro de 2025, que recuou de 6,08% para 5,96%.

Economistas discutiram o nível de ociosidade da economia em reunião trimestral com o BC. “Os economistas tentaram entender melhor a dicotomia trazida pelo Copom na ata sobre o hiato não estar tão aberto”, disse um dos analistas presentes. A visão predominante foi a de que o nível de ociosidade continua amplo no país e os economistas mostraram pessimismo quanto aos rumos da atividade. “Há um viés de revisão para baixo das estimativas em praticamente 100% dos casos”, disse um participante.

“Temos um ambiente de fraqueza econômica que está difícil de se dissipar tanto por aqui quanto no exterior. Somando esse cenário à inflação muito confortável, com núcleos bastante tranquilos, não consigo ver os motivos para o BC ter identificado a necessidade de cortar o juro”, afirma o gestor de renda fixa da Absolute Investimentos, Mauricio Patini. Para ele, com esse cenário em mãos, o mercado fica confortável em tirar a inclinação da curva e reduzir as taxas dos DIs para janeiro de 2022 e de 2023 às mínimas históricas.

A avaliação da equipe de macroeconomia do Santander, liderada por Ana Paula Vescovi, é a de que o juro básico deve permanecer inalterado até o segundo trimestre de 2021, quando um ciclo de normalização teria início. Além disso, a recuperação da economia deve ser mais gradual. Agora, o banco espera um crescimento de 2% no país este ano. A retomada um pouco mais lenta do que o projetado anteriormente pelo Santander ocasionou na revisão da Selic no fim de 2021 de 6% para 5,5%.

Predomina, portanto, a visão de taxas de juros em níveis baixos e por um período prolongado. “É fato que a dinâmica da inflação permanece benigna no curto prazo, enquanto o ímpeto da economia não é tão forte quanto a bateria de dados de setembro e outubro nos fez acreditar”, disse o economista-chefe do Barclays para Brasil, Roberto Secemski. Assim, o banco britânico não mais espera que a normalização do juro básico ocorra ainda este ano e vê a Selic em 4,25% ao menos até o início de 2021.

Na Sicredi Asset, porém, a visão é de que, apesar de o BC ter fechado a porta para um novo corte da taxa em março, ainda há espaço para medidas adicionais de estímulo. “Os dados estão vindo muito fracos e o IBC-Br mostrou isso. Tanto no comunicado quanto na ata, o BC reiterou que vai ficar de olho nas expectativas de inflação para 2021, mas já no Boletim Focus a concentração de apostas em um nível de IPCA abaixo de 3,75% aumentou. Isso vai acabar pressionando a curva para novos cortes”, afirmou Danilo Alencar, trader de renda fixa na gestora.