Juros futuros caem com correção e dólar mais fraco

O mercado futuro de juros começou esta terça-feira com dois indicadores de atividade que tinham potencial para pressionar as taxas para cima. O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) e a confiança da indústria, que subiram em janeiro. Porém, as taxas futuras caem, em movimento de correção, depois de duas altas consecutivas. A queda do dólar contribui para esse movimento.

Às 10h45, na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,19%, ante 7,24% no ajuste de segunda-feira. O DI para janeiro de 2015 marcava 7,87%, de 7,94%. O contrato com vencimento em janeiro de 2017 apontava 8,74%, de 8,81% no ajuste anterior. No mesmo horário, o dólar negociado à vista no balcão caía 0,35%, a R$ 1,995.

"A queda do dólar pode ajudar a queda dos DI, principalmente por ter rompido o suporte de R$ 2,00", disse o gerente de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. A moeda norte-americana dá continuidade ao movimento de ontem, depois de o Banco Central atuar no mercado futuro, em operação equivalente à venda de dólares, reforçando a percepção de que está atento aos efeitos do câmbio elevado sobre o controle dos níveis de preços.

Além disso, a inflação ao consumidor perdeu bastante força entre o dia 25 e o dia 28. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no critério ponta, desacelerou de 0,73% para 0,15% no período, de acordo com uma fonte que teve acesso ao cálculo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base em sua coleta diária de preços usada na formulação de seus índices.

Já o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu para 106,5 pontos em janeiro, o que representa uma alta de 0,1% na comparação com os 106,4 pontos de dezembro, com ajuste sazonal, segundo a FGV. Foi o maior nível desde junho de 2011 (107,1 pontos). Na comparação com janeiro de 2012, o ICI apresentou alta de 4,4%, sem ajuste sazonal. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (Nuci) avançou de 84,1% para 84,4%, o maior desde fevereiro de 2011, entre dezembro para janeiro.

O mercado futuro de juros também repercute nesta terça-feira declarações da presidente Dilma Rousseff sobre o juro básico do País. Na segunda-feira ela afirmou que "somos um País que tem condições, com sensatez, de reduzir a taxa Selic". "Temos condições macroeconômicas para fazer isso", completou, em discurso durante Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas. Segundo ela, a taxa de juro menor sempre vai facilitar a ampliação de investimento e do consumo.

As declarações foram feitas após o Banco Central adotar, na ata do Copom divulgada na semana passada, uma postura mais firme quanto à inflação e esclarecer que a recuperação da atividade doméstica, menos intensa do que o esperado, se deve a impedimentos que "não podem ser endereçados por ações de política monetária". Vale pontuar que a assessoria da presidente declarou a um jornal que, no discurso, a presidente Dilma se referiu a cortes de juro passados.

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