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Dólar se fortalece e chama intervenção do BC

Marcelo Osakabe e Victor Rezende
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Leilão injetou US$ 560 milhões no mercado à vista O noticiário negativo sobre a covid-19 coloca investidores na defensiva nesta terça-feira, levando o dólar a se fortalecer contra praticamente todas as demais divisas mais líquidas do mundo. No Brasil, em dia quase sem novidades do front econômico e também de Brasília, após o governo adiar a decisão sobre o novo programa de transferência de renda, o sinal do exterior foi suficiente para levar a moeda brasileira a ficar entre os piores desempenhos da manhã, desencadeando um novo leilão do Banco Central (BC) no mercado à vista. Após o leilão, que injetou US$ 560 milhões no mercado à vista, o dólar devolveu parte dos ganhos e operava em alta de 0,82% por volta das 15h20, a R$ 5,5712. Mais cedo, a moeda americana chegou a tocar máxima intradiária de R$ 5,6254. Naquele momento, a alta do dólar contra o real era até mais intensa do que a vista contra a coroa checa (1,64%), o zloty polonês (1,34%) e o florim húngaro (1,23%), divisas que sofrem fortemente com uma segunda onda da covid-19. Na República Checa, o governo impôs uma série de medidas de restrição até o início de novembro, deixando a população local bastante próxima de um 'lockdown' completo. Outros pares emergentes mais comparáveis com o Brasil, por causa do tamanho de seus mercados, têm alta mais limitada neste pregão, como o peso mexicano, o rublo russo e a lira turca. As preocupações que rondam os países do Leste europeu foram reforçadas após a Johnson & Johnson anunciar que um teste clínico com uma vacina para o novo coronavírus foi interrompido após um dos participantes apresentar reação. Nesse ambiente, o dólar também se fortaleceu contra o euro, ao passo que os rendimentos dos títulos do Tesouro americano operam em queda. “O rali de ontem, impulsionado pelas ações de tecnologia dos Estados Unidos, voltou a perder fôlego após o noticiário negativo sobre vacinas”, nota o Brown Brothers Harriman. Separadamente, pesaram ainda os comentários da líder democrata no Congresso americano, Nancy Pelosi, que voltou a dizer que a proposta da Casa Branca para o pacote de auxílio é insuficiente. No Brasil, vale dizer que o sinal do exterior já pega o câmbio pressionado por semanas de incertezas sobre o cenário fiscal, que tem feito o mercado local a operar em níveis bastante pressionados. Um profissional de tesouraria de um grande banco nota que a intervenção de hoje ocorreu mesmo sem que a alta do dólar estivesse contaminando outros mercados locais, como os juros longos. "Mostra que o BC está atento, não quis deixar o mercado andar mais", diz este interlocutor. A "moratória" imposta pelo presidente Jair Bolsonaro sobre as discussões do Renda Cidadã “devem resultar em semana sem assuntos impactantes para o mercado”, nota a Guide em comentário matinal. Ainda assim, houve algum alento com a notícia de que lideranças do Congresso estudam suspender o recesso parlamentar para votar reformas econômicas. Como mostrou o Valor, a ideia é compensar o tempo gasto com eleições locais para fazer andar temas como a reforma tributária e a PEC dos gatilhos, que deve trazer dentro de si a criação do benefício pretendido pelo presidente. Pixabay