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Juros futuros avançam com exterior, inflação e risco fiscal no foco

Victor Rezende
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No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2022 passou de 2,74% no ajuste anterior para 2,84% e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 3,90% para 4,04% O tom negativo dos mercados internacionais teve reflexos no mercado de juros futuros nesta terça-feira (8) e promoveu uma incorporação de prêmio de risco ao longo da curva a termo, especialmente nos trechos intermediários. Os investidores também se mostraram atentos a questões inflacionárias, após a alta forte do IGP-DI, enquanto mantêm a questão fiscal no foco, no momento em que o desafio para a sustentabilidade das contas públicas se mostra ainda maior. Assim, no fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 2,74% no ajuste anterior para 2,84% e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 3,90% para 4,04%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 saltou de 5,69% para 5,85% e a do DI para janeiro de 2027 avançou de 6,64% para 6,78%. Com a aproximação das eleições presidenciais americanas, que ocorrem em dois meses, os mercados têm se mostrado mais voláteis no exterior, o que gera certa cautela dos investidores em relação a ativos de risco. A correção nos preços das ações de empresas de tecnologia na Nasdaq e a promessa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cortar os laços econômicos com a China se for reeleito impõem um viés negativo aos negócios nos mercados globais e afetam a curva a termo. “Pelo terceiro dia consecutivo, temos uma alta bem forte do dólar em todo o mundo e um grande 'sell-off' [onda de vendas] nas bolsas americanas. Esses movimentos têm impacto no desempenho de alguns fundos locais e, assim, como proteção, há uma redução nas posições doadas em DI, enquanto alguns têm aumentado as posições tomadas na curva, já que acreditam que os reflexos no ajuste fiscal podem ser mais severos do que o mercado tem precificado”, afirma um profissional de renda fixa que prefere não se identificar. A SPX Capital, por exemplo, aponta, em carta referente a agosto, que enxerga um “claro sinal de deterioração e potencial perda da âncora fiscal”. Para a gestora de Rogério Xavier, a disputa eleitoral de 2022 foi antecipada em um momento no qual as diretrizes da equipe econômica enfrentam resistência no governo. “No contexto delicado da crise de saúde, com gigantescas consequências econômicas em um Brasil de contas públicas frágeis, o presidente já mira o jogo eleitoral de 2022 e não consegue renunciar às políticas populistas que aceleraram a discussão do teto dos gastos para este ano.” Dado esse cenário, a gestora acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não mais reduzirá a Selic. “O que se discute, a partir de agora, é quando as taxas começarão a subir. Com o fiscal deteriorando e a inflação dando sinais de normalização, acreditamos que as posições tomadas começam a fazer sentido no nosso portfólio”, afirmam os gestores da SPX, na carta. De fato, os juros futuros enfrentaram um dia de alta firme já nos trechos de curto prazo, também com os investidores atentos aos números do IGP-DI de agosto. O indicador subiu 3,87% no mês passado, em um nível bem acima do esperado pelo mercado. No acumulado em 12 meses, o IGP-DI tem alta de 15,2%, vindo de 10,4% em julho. Não por acaso, as taxas de inflação implícita, medidas pelas NTN-B, têm mostrado alta mais firme recentemente. A implícita medida pela NTN-B para maio de 2021 está em torno de 3,8%, ligeiramente acima do centro da meta de inflação para 2021 (3,75%).