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Juros futuros avançam após intervenção do BC no câmbio

Victor Rezende

No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2021 passou de 4,22% para 4,26% e a do DI para janeiro de 2025 foi de 6,03% para 6,08% Embora o governo e o Banco Central tenham mostrado pouca preocupação com a valorização recente do dólar ante o real, a operação de swap cambial da autoridade monetária na manhã desta quinta-feira (13) fez com que os juros futuros se mantivessem em alta, com uma recomposição de prêmio de risco em toda a curva a termo. O ambiente externo mais avesso a risco também foi monitorado pelos agentes financeiros, mas, com o salto no número de mortos e de infectados pelo novo coronavírus na China gerou novas especulações sobre a possibilidade de um impacto maior da doença na economia global.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 4,22%, no ajuste anterior, para 4,26%; a do DI para janeiro de 2022 avançou de 4,79% para 4,84%; a do contrato para janeiro de 2023 subiu de 5,37% para 5,42%; e a do DI para janeiro de 2025 foi de 6,03% para 6,08%.

“Os ruídos políticos voltaram a devolver prêmio à curva”, afirmou Matheus Gallina, trader de renda fixa da Quantitas. “Nos últimos dias, vimos queda forte na ponta curta e relativa estabilidade do juro longo, mesmo com o dólar em nível recorde. Agora tivemos um fato interno que gerou um pouco de ruído, mas poderíamos ter tido uma reação mais agressiva por parte dos agentes financeiros”, diz Gallina.

Comentários feitos na quarta (12) pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o mercado de câmbio brasileiro “não está nervoso” se somaram à fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que o câmbio é flutuante e de que o nível atual do câmbio não tem impacto nas expectativas de inflação.

“Acreditamos que o BC provavelmente esteja mais confortável com a atual fraqueza cambial, particularmente à luz das expectativas de inflação em declínio, que situam o valor do IPCA em 2020 em 3,25%, abaixo da meta de 4%”, escreveram os estrategistas do Morgan Stanley, em relatório enviado a clientes.

Dados da Renascença DTVM mostram que o mercado continua a esperar um comportamento benigno da inflação tanto em 2020 quanto em 2021. Os contratos de futuro de cupom de IPCA (DAP) negociam a inflação para este ano em 3,17% e, para 2021, em 3,54% — ambas abaixo das metas de inflação de 4% e de 3,75%.

Na avaliação de Gallina, a alta das taxas futuras, porém, não é maior hoje diante da evolução do coronavírus, após a China mudar a metodologia de contar o número de mortos e de infectados. “Poderíamos ter uma reação mais agressiva, mas outros componentes, como dados de atividade locais e globais têm pressionado os juros para baixo”, aponta. Nos Estados Unidos, o retorno da T-note de 10 anos recuava para 1,615%, por volta de 16h.

A economista-chefe da BNP Paribas Asset Management, Tatiana Pinheiro, acredita que, em um cenário de “frustração relevante” com o crescimento econômico no país, um novo ciclo de corte na Selic pode ser iniciado pelo BC. “Não é o meu cenário base, porque acredito no juro a 4,25% até o fim do ano, mas, se for igual nos anos anteriores e o crescimento começar a frustrar, a discussão de novas reduções nos juros deve voltar à tona.”

Tatiana, contudo, diz ter dúvidas sobre a efetividade de um novo ciclo de afrouxamento. “Não sei o quanto ele seria mais produtivo do que os outros dois. No que cabe à política monetária, os botões foram apertados. Acredito que seria mais efetivo ver estímulos por outros canais, como a consolidação fiscal e o andamento efetivo das reformas, que fariam a confiança melhorar”, afirmou a economista.