Juros futuros abrem em queda com pessimismo externo

O pessimismo nos mercados internacionais, gerado na quarta-feira após o tom mais duro da ata do Federal Reserve (Fed) e renovado nesta quinta-feira por dados decepcionantes da atividade econômica na zona do euro, pesa sobre os juros futuros na abertura dos negócios. Internamente, as quedas na confiança da indústria e do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) contribuem para o recuo das taxas. Mas os investidores aguardam novos sinais do Banco Central sobre a condução da política monetária, que podem vir da apresentação do diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton, ainda nesta manhã.

"Os juros futuros abrem em queda, mais influenciados pelo setor externo, com as bolsas derretendo ao redor do mundo e commodities também em baixa. A ata do Fed e os números de atividade econômica na Europa podem ofuscar um pouco assuntos internos nesta abertura", diz Paulo Petrassi, gerente de renda fixa da Leme Investimentos. Porém, ressalta, "é fundamental acompanhar os integrantes da equipe econômica no Brasil. Um tom mais duro quanto à inflação volta a pressionar os DIs para cima".

A ata da primeira reunião do Fed em 2013, realizada em janeiro, revelou inquietação crescente dos dirigentes do banco central dos Estados Unidos com a política monetária relaxada, sendo que alguns deles sugeriram que o Fed poderá ter de endurecer a política antes de uma normalização completa do mercado de mão de obra. A sinalização de uma antecipação do fim dos estímulos monetários derrubou na quarta-feira as Bolsas de Nova York.

Na zona do euro, a atividade econômica encolheu mais em fevereiro. O índice composto dos gerentes de compras (PMI) caiu à mínima em dois meses, a 47,3 neste mês, de 48,6 em janeiro, segundo dados preliminares. O resultado ficou abaixo de 50 e contrariou a previsão de alta para 49,0.

Nesta manhã, os índices futuros de Wall Street, as bolsas europeias e os índices de ações asiáticos refletem o pessimismo com o possível fim do afrouxo. Às 9h30, a bolsa de Paris caía 1,68%, a Bolsa de Frankfurt perdia 1,78% e o futuro do S&P 500 tinha queda de 0,46%.

No mesmo horário, na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,65%, ante 7,69% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 8,33%, na mínima, de 8,39% no ajuste da véspera; e o contrato com vencimento em janeiro de 2017 apontava 9,11%, de 9,15% no ajuste anterior.

No Brasil, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 0,4% em fevereiro, ante janeiro, conforme prévia da Sondagem da Indústria, divulgada nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A queda foi puxada pela piora na avaliação sobre a economia atualmente. Na prévia, o Índice da Situação Atual (ISA) recuou 0,7% neste mês, depois de avançar 0,3% no mês anterior. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), por sua vez, ficou em 84,1%, de 84,5% em janeiro. Às 11 horas, sai o Índice de Confiança do Empresário Industrial de fevereiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Mas os investidores seguem atentos a mais sinais do Banco Central sobre a condução da política monetária no Brasil e, por isso, as atenções se voltam para Carlos Hamilton. O diretor do BC apresenta o Boletim Regional Trimestral do Banco Central, em Belo Horizonte, a partir das 10 horas. Ontem, os juros futuros fecharam em queda, com a avaliação de que um aperto monetário, se ocorrer, poderá ser mais ameno e ocorrer mais adiante do que vinha sendo precificado até a última terça-feira (19).

Em tempo: o Tesouro Nacional faz nesta quinta-feira tradicional leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) para os vencimentos de 1/4/2014, 1/4/2015 e 1/7/2016. E, a partir das 14h30, anuncia o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2013.

Carregando...