Juros futuros abrem em leve alta à espera de Tombini

Os juros futuros iniciaram a terça-feira em torno da estabilidade, com ligeiro viés de alta. Mas o rumo dos negócios ao longo do dia depende da confirmação pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que o juro básico da economia permanecerá estável por período "suficientemente prolongado" e de que a autoridade monetária não deixará uma desvalorização do câmbio ameaçar o controle da inflação, em meio ao fraco crescimento, em audiência pública no Senado.

Por volta das 9h10, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,07%, de 7,05% no ajuste de segunda-feira (010); o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 7,63%, de 7,59% na véspera; e o DI para janeiro de 2016 marcava 8,19%, de 8,13% ontem. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 8,51%, de 8,46% e o DI para janeiro de 2021 apontava 9,21%, de 9,16% no ajuste da véspera.

No fim da semana passada, Tombini reforçou que "a estratégia adequada para trazer a inflação para a meta é manter a estabilidade das condições monetárias por um período suficientemente prolongado". Na segunda-feira (10), o diretor de política monetária do BC, Aldo Mendes, indicou desconforto com a cotação do dólar. Segundo ele, "o dólar está acima" e "há gordura na taxa". As declarações se seguiram a novas apostas no mercado financeiro em torno de possíveis ações para estimular a economia após a divulgação do fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre.

O presidente do Banco Central participa, a partir das 11 horas, de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O economista-chefe da Planner Corretora, Eduardo Velho, diz que os juros futuros têm viés de alta à espera de Tombini. Na opinião dele, o presidente do BC deve reforçar que o atual nível de juros mantido por um período prolongado beneficia a convergência da inflação à meta ao longo do tempo.

"Por enquanto, não é favorável apostar em queda dos juros em 2013 e 2014", diz Velho, ponderando que é preciso lembrar que a convergência da inflação para a meta é "não linear", "então possíveis surpresas para baixo dos próximos resultados do PIB podem fazer com que as apostas de queda dos juros voltem a ganhar corpo".

Velho lembra que a curva a termo já se ajustou às declarações de Tombini e Aldo Mendes, revertendo perdas recentes. "Por isso, se Tombini mostrar muita confiança em seu cenário de inflação de 2013, a despeito da recente aceleração dos índices de inflação de dezembro, pode até desacelerar a alta dos juro futuros, mas o viés seria mais de alta do que de queda dos juros".

Mais cedo, saiu a primeira leitura de dezembro do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo. O IPC subiu 0,70%, desacelerando ante a alta de 0,75% verificada em igual prévia de novembro. Mas o resultado apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ficou perto do teto das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que iam de 0,60% a 0,71%.

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