Juros fecham em queda após oscilar com falas de Tombini

O mercado de juros se manteve extremamente volátil, em sessão movimentada por falas, em diversos momentos do dia, do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em visita a investidores em Nova York. Após entrevista para o jornal Wall Street Journal, no fim de semana, em que os investidores enxergaram um discurso mais duro (hawkish) do que os anteriores, as taxas dos contratos futuros de juros abriram em alta, mais forte entre os vencimentos curtos, reforçando a tese de início breve do ciclo de elevação da Selic. O mercado virou, no entanto, com rumores de que, em evento fechado à imprensa, Tombini teria voltado a adotar um tom mais ameno.

Essa leitura foi confirmada, segundo agentes de mercado ouvidos pela Agência Estado, na apresentação feita pelo dirigente à tarde, essa com a presença da imprensa. As taxas futuras chegaram às mínimas do dia durante o discurso em que o presidente do BC repetiu que está atento à alta da inflação e que segue monitorando cuidadosamente o comportamento dos preços, mas citou também que uma série de eventos contribuirá para a queda da inflação no segundo semestre.

Ao final da sessão normal da BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para julho de 2013 fechou com taxa de 7,28%, na mínima do dia, com 719.485 contratos, queda ante o ajuste da sexta-feira, de 7,32%; o contrato para janeiro de 2014 marcou 7,80%, com 887.885 contratos, de 7,83% no ajuste da sexta-feira; o DI para janeiro de 2015 apontou 8,47% (442.575 contratos), ante 8,51% e o DI para janeiro de 2016 encerrou com taxa de 8,92% (57.490 contratos), ante 8,97%. Entre os vencimentos de longo prazo, o contrato para janeiro de 2017 apontou 9,16% (108.095 contratos), de 9,20% no ajuste anterior; e o contrato para janeiro de 2021 tinha taxa de 9,62% (8.720 contratos), de 9,67% no ajuste da sexta-feira.

"Temos vários fatores que vão ajudar a inflação cair", destacou Tombini, sendo o principal deles a previsão de que safra de grãos será recorde em 2013, o que vai ajudar a reduzir a pressão nos preços dos alimentos. O presidente do BC citou ainda um ritmo de crescimento menor da massa salarial este ano, reduzindo a pressão em serviços, e a probabilidade de que o câmbio não tenha neste ano a mesma depreciação que registrou em 2013. Ele disse ainda que a fraca recuperação global deve restringir os preços globais.

Quando questionado por um investidor sobre a meta de inflação no Brasil, Tombini disse que a meta no Brasil é de 4,5% e não de 5,5% e ressaltou que o BC brasileiro não tem um alvo implícito para os preços. O presidente do BC participou de um almoço organizado pela Brazilian-American Chamber of Commerce e pelo Council of the Americas.

Segundo um operador de juros, o discurso do presidente do BC deixou claro que ele não está confortável em elevar a Selic neste momento. "O BC vai segurar para iniciar o movimento", disse a fonte. De acordo com outra fonte de mercado, a impressão que o sobe e desce das taxas passou é de que o BC ficou incomodado com a alta forte da manhã e decidiu ajustar as expectativas com discursos mais amenos ao longo do dia.

No fim de semana, Tombini afirmou ao WSJ que "a meta é a inflação, então temos que ajustar e calibrar as nossas políticas para cumprir as metas", acrescentando que "o crescimento não é uma meta para o Banco Central." O presidente do BC disse ainda que "a inflação nos últimos meses mostrou mais resiliência do que gostaríamos que mostrasse" e que "nós estamos de olho nesses desdobramentos." Essa foi a senha para a alta dos juros no começo do pregão, com ordens de stop loss ampliando o movimento de elevação das taxas.

Mesmo com o recuo na tarde desta segunda-feira, a curva a termo ainda projeta alta de mais de 100 pontos-base até o fim deste ano, distribuídos a partir de abril, em altas moderadas de 25 pontos-base.

De qualquer forma, o tom mais firme adotado recentemente pelo BC já promoveu alguma melhora nas expectativas, conforme mostrou o boletim Focus, divulgado pela manhã. Na pesquisa, a mediana das projeções para o IPCA no fim de 2013 caiu de 5,70% para 5,69%, enquanto a mediana para o índice no fim de 2014 seguiu em 5,5%.

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