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Juros de empréstimos atingem maior patamar desde início da pandemia

·3 min de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com a alta da taxa básica de juros (Selic), o valor cobrado pelos bancos em novos empréstimos tem subido mês a mês. Em setembro, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central, a média chegou a 21,6% ao ano, maior valor desde o início da pandemia de Covid-19, em março.

No mês, houve elevação de 0,5 ponto percentual nos juros tanto para as famílias, que alcançaram 25,8% ao ano, quanto para empresas, 14,9% ao ano.

Em 12 meses, a taxa média de juros do sistema financeiro subiu 3,5 pontos percentuais.

"Agora, com o ciclo de elevação da taxa básica de juros [Selic], é esperado que se transmita para as taxas de crédito bancário", ressaltou o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Em resposta à crise sanitária, o BC iniciou um ciclo de cortes que levou a Selic ao menor nível da história, a 2% ao ano, em agosto do ano passado. Já em março, quando o vírus chegou ao país, a autoridade monetária cortou 0,5 ponto percentual na taxa básica, que foi a 3,75% ao ano.

Como a Selic norteia todas as outras taxas, os juros bancários começaram a cair. Em setembro, a média ficou em 18,1% ao ano, menor valor da série iniciada em março de 2011.

Diante da escalada da inflação, no entanto, em março deste ano o BC voltou a subir taxa, que atualmente está em 6,25% e deve encerrar o ano perto de 9%.

O spread –diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram em empréstimos– ficou estável em 14,5 pontos, mas teve alta de 0,2 ponto nos 12 meses.

"A taxa de captação dos bancos aumentou e a de aplicação também, na mesma proporção. Com isso os spreads ficaram estáveis", pontuou o técnico do BC.

Segundo ele, variáveis que poderiam elevar o custo do crédito, como inadimplência, estão estáveis.

"Outro fator que pode contribuir é a mudança do perfil de risco do cliente. As empresas maiores, que têm menos risco, estão voltando ao mercado de capitais para se financiar e demandando menos crédito bancário", ponderou.

Para as empresas, as linhas de capital de giro, que representam 37% do total de crédito para as companhias, tiveram elevação de 1,4 ponto percentual na média de juros em setembro, para 17,6% ao ano.

Entre as linhas para as famílias, houve elevação de taxa em modalidades como cartão de crédito parcelado, de 5,1 pontos percentuais, para 168,7% ao ano, e de 3,7 pontos no rotativo (quando o cliente não paga o total da fatura), para 339,5% ao ano.

O saldo de crédito, que é todo o montante emprestado no sistema financeiro, chegou a R$ 4,4 trilhões em setembro, aumento de 2% em relação a agosto e o maior valor da série.

O estoque de financiamentos atingiu a marca de R$ 4 trilhões pela primeira vez na história em dezembro do ano passado, impulsionado principalmente por programas do governo para crédito às pequenas e médias empresas em meio à pandemia.

Em setembro, os bancos emprestaram R$ 445,1 bilhões, crescimento de 3,1% em relação a junho. A alta foi puxada pela concessão de crédito às empresas, com 3,7%. Para as famílias, houve alta de 0,5%.

A variação é calculada com ajuste sazonal, que retira peculiaridades do período, como número de dias úteis, para facilitar a comparação.

A inadimplência permaneceu estável no mês, em 2,3%. Em 12 meses, no entanto, houve queda de 0,1 ponto percentual.

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