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Juros dos empréstimos para empresas atinge o maior valor na pandemia

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019: Cédulas de real, moeda oficial brasileira. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.02.2019: Cédulas de real, moeda oficial brasileira. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A alta da taxa básica de juros (Selic) já impacta o valor cobrado pelos bancos em novos empréstimos. Em julho, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo BC (Banco Central), a média para empresas chegou a 13,5%, maior valor desde o início da pandemia de Covid-19, em março.

Para famílias, os juros ficaram estáveis no mês, com 24,6% ao ano.

Em resposta à crise sanitária, o BC iniciou um ciclo de cortes que levou a Selic ao menor nível da história, a 2% ao ano, em agosto do ano passado. Já em março, quando o vírus chegou ao país, a autoridade monetária cortou 0,5 ponto percentual na taxa básica, que foi a 3,75% ao ano.

Como a Selic norteia todas as outras taxas, os juros bancários começaram a cair. Em agosto, a média para empresas ficou em 10%, menor valor da série iniciada em março de 2011.

Diante da escalada da inflação, no entanto, em março deste ano o BC voltou a subir taxa, que atualmente está em 5,25% e deve encerrar o ano perto de 8%.

Com isso, os bancos passaram a cobrar mais caro nos empréstimos. Somando empresas e famílias, a média de juros ficou em 20,4% ao ano em julho, maior valor desde maio de 2020.

Para as famílias, a taxa do cartão de crédito rotativo, quando o cliente não paga o valor total da fatura, teve o maior aumento no mês, de 4 pontos percentuais, e foram para 331,5% ao ano.

A alta de juros ocorre em um cenário de endividamento recorde das famílias, que ficou em 59,2% em maio, maior percentual da história.

O dado, calculado desde janeiro de 2005, considera o estoque dos financiamentos das famílias com relação à renda em 12 meses. O nível de endividamento passou de 50% pela primeira vez em julho do ano passado.

Em 12 meses, o indicador cresceu 10 pontos percentuais –em maio de 2020, o percentual estava em 49,2%.

O comprometimento da renda mensal do brasileiro com parcelas de empréstimos cresceu 0,6 ponto percentual em relação a abril, com 30,6%.

O comprometimento leva em conta a renda mensal em relação a uma estimativa correspondente aos pagamentos das parcelas.

Como o dado considera uma média móvel trimestral, há uma defasagem de três meses em sua divulgação, por isso, o último dado disponível é o de maio.​

O spread –​diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram em empréstimos– ficou em 14,6 pontos, alta de 0,2 ponto percentual no mês, mas queda 0,8 ponto nos 12 meses.

Em julho, os bancos emprestaram R$ 418,4 bilhões, crescimento de 3,8% em relação a junho. A alta foi puxada pela concessão de crédito às empresas, com 4,7%. Para as famílias, houve alta de 1,8%.

A variação é calculada com ajuste sazonal, que retira peculiaridades do período, como número de dias úteis, para facilitar a comparação.

O saldo de crédito, que é todo o montante emprestado no sistema financeiro, chegou a R$ 4,3 trilhões, aumento de 1,2% em relação a junho e o maior valor da série.

O estoque de financiamentos atingiu a marca de R$ 4 trilhões pela primeira vez na história em dezembro do ano passado, impulsionado principalmente por programas do governo para crédito às pequenas e médias empresas em meio à pandemia.

A inadimplência permaneceu estável no mês, em 2,3%. Em 12 meses, no entanto, houve queda de 0,5 ponto percentual.

Na pandemia, a inadimplência alcançou os menores níveis da história. A avaliação é que o auxílio emergencial e renegociações das parcelas de empréstimos promovidas pelos bancos durante a pandemia evitaram os calotes.

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