Juros curtos recuam e longos operam estáveis

As taxas dos contratos futuros de curto prazo operam com leve queda, enquanto os longos abrem estáveis, diante das incertezas locais e externas. Às 9h59, a taxa do contrato para janeiro de 2014 apontava 7,32%, de 7,34% na quinta-feira. O contrato para janeiro de 2021 indicava estabilidade em 9,15%.

No âmbito doméstico, a principal dúvida é sobre se será efetivada a prometida queda de cerca de 20% das tarifas de energia em 2013. O governo brasileiro divulgou na quinta-feira (01) à noite os valores das novas tarifas de geração para as usinas cujas concessões vencem entre 2015 e 2017, além dos valores das indenizações não amortizadas.

Segundo a portaria, 15 usinas hidrelétricas e 9 companhias de transmissão de energia elétrica serão indenizadas em cerca de R$ 20 bilhões para permitir a renovação antecipada da concessões do setor. O valor frustrou algumas empresas, entre elas a Eletrobras, que vai tentar rever as condições para receber um valor maior. As companhias têm agora até o dia 4 de dezembro para se manifestar se aceitam as condições para a renovação antecipada das atuais concessões. Caso não aceitem, manterão as atuais tarifas até o final das concessões em vigor (entre 2015 e 2017).

Após este prazo, os ativos teriam de ser devolvidos para a União, que os leiloaria em nova licitação. "Se este cenário se confirmar, corre-se o risco de ser frustrada a meta de redução considerável das tarifas de energia em 2013", pondera a LCA Consultoria em relatório.

"O mercado (de juros) abre sem muita direção. Só vai saber o quão ruim será para a inflação quando sair a definição (da energia) em dezembro", comentou um operador de uma corretora norte-americana que não tem autorização para ter seu nome revelado. Enquanto o mercado não tem o efeito líquido para inflação do embate para reduzir os preços da energia, o exterior deve definir pressão de baixa para as taxas dos contratos futuros longos, a despeito de as taxas terem começado a resistir em tocar novas mínimas no final da semana passada.

No exterior, pairam as incertezas sobre o quadro político nos EUA, na Europa e na China. Os norte-americanos escolhem o presidente e vários outros políticos nesta semana. O resultado das urnas definirá se o país conseguirá escapar do "abismo fiscal", ou seja, a perspectiva de elevações de impostos e de cortes de gastos governamentais.

Na Europa, o Parlamento grego vota na quarta-feira (07) novas medidas de austeridade e a China deve definir no Congresso Comunista desta semana mudanças importantes.

No Brasil, o feriado teve como destaque uma entrevista do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, ao jornal Zero Hora publicada no sábado (03). Na entrevista, ele disse que continua mirando a meta de inflação. Mas ao responder sobre se sente desconfortável com inflação acima de 5%, Tombini respondeu que o "sistema é mirar na meta (de inflação)".

"O BC segue sem se comprometer com nada claro. Mas está certo já que o cenário externo segue complicado", disse o operador da corretora norte-americana, ressaltando, porém, que os preços agrícolas continuam confirmando o cenário de que o pior em termos de transmissão do choque de oferta de grãos para os preços no atacado já passou.

A pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, também constatou essa leitura. Na sondagem divulgada pelo BC, os analistas revisaram suas projeções para o IGP-M em 2012, de 8,30% para 7,92%, enquanto mantiveram a estimativa de 5,16% em 2013. Mas o prognóstico para o IPCA segue praticamente congelado. A previsão para o índice em 2012 caiu de 5,45% para 5,44% e seguiu em 5,40% em 2013, portanto, acima da meta de 4,5%.

Na esfera regional, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, ficou em linha com o esperado. O índice registrou 0,80% em outubro, acima da alta de 0,55% de setembro, mas inferior à variação de 0,84% da terceira quadrissemana de outubro. O resultado ficou bem próximo da mediana de 0,81% calculada com base em pesquisa do AE Projeções. O grupo Alimentação saiu de 1,74% no encerramento de setembro para 2,28% na terceira quadrissemana de outubro, mas desacelerou a alta a 2,04% no fechamento do mês e a desaceleração do grupo deve contribuir para continuar aliviando outros índices. Mesmo assim, foi o item que, na variação ponderada, mais contribuiu para o IPC no período.

Mas uma boa notícia veio do grupo Vestuário. Enquanto algumas lojas em São Paulo iniciaram uma temporada de liquidação pré-natalina para estimular compras antes do pico de movimento esperado para dezembro, os preços de vestuário tiveram queda. O item passou de uma inflação de 0,37% em setembro para 0,45% no terceiro levantamento do mês passado e encerrou outubro com deflação de 0,17%. O grupo foi o que mais contribuiu para atenuar a inflação.

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