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Juros curtos fecham queda com perspectiva de recuperação global lenta

Marcelo Osakabe

Sinalização do Fed e risco de nova onda de contágio pela covid-19 impactaram o mercado na semana Os juros futuros mais curtos encerraram em queda leve nesta sexta-feira, influenciados pela perspectiva de recuperação global pode ser mais demorada que o esperado e, por isso, as taxas de referência deverão ser mantidas por mais tempo nos atuais níveis. Ao longo da sessão, porém, alguns vértices chegaram a apresentar alta, refletindo o avanço do dólar, que incorpora o pregão de aversão ao risco da véspera.

No fim da sessão regular, o contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 recuava a 2,155%, de 2,175% no ajuste anterior; o DI janeiro/2022 cedia de 3,08% para 3,06%; o contrato para janeiro de 2023 baixava de 4,12% para 4,11%; DI janeiro/2025 subia de 5,66% para 5,67%; e o contrato para janeiro de operava estável em 6,60%.

A perspectiva de uma retomada mais longa foi salientada pelo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na quarta-feira, e ganhou mais contornos após relatos de que alguns Estados americanos, como Florida e Texas, estão registrando novo salto no número de casos. “Tudo somado, a reabertura sem uma vacina sempre representou o risco de uma ‘segunda onda’, a maior ameaça à recuperação da economia”, dizem analistas do Wells Fargo. Recentemente, o banco americano revisou a expectativa para o PIB do 2º trimestre para contração anualizada de quase 40%, o que deve resultar em uma queda de 5% para o ano como um todo.

"Se o receio dos investidores é que uma recuperação econômica global seja mais devagar do que o esperado por causa de uma possível segunda onda de contaminações pela Covid-19, faz todo sentido que as taxas tenham viés de queda", diz Victor Candido, economista da Journey Capital. Segundo o profissional, esta leitura pode se confirmar na semana que vem, que traz agenda cheia de indicadores como o IBC-Br e as leituras para serviços e comércio do IBGE.

Para a Terra Investimentos, o alongamento da pandemia da Covid-19 no Brasil deve fazer com que a retomada apareça apenas nos últimos meses de 2020. A casa projeta agora uma contração de 6,3% do PIB em 2020.

“Ao contrário da expectativa do mercado, a retomada da economia não será em ‘V’, seguirá bastante lenta a partir do quarto trimestre deste ano", diz Marco Harbich, estrategista da Terra Investimentos.

De posse dos números do IPCA de maio, que apontou queda de 0,38% na comparação mensal, a Western Asset também revisou sua projeção para o IPCA no ano. Agora, a casa espera que o número fique num intervalo entre 1,4% e 1,9%, de 1,8% e 2,3% anteriormente

Em segundo plano, mas ainda visíveis, estão as preocupações sobre a situação fiscal do país. Analistas do Citi destacam em seu relatório matinal a posição favorável do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à manutenção do auxílio emergencial em R$ 600 por mais dois meses. “Caso isso seja efetivado, haverá um gasto fiscal extra de R$ 50 bilhões, ou 0,7% do PIB, a ser incorporado à nossa expectativa para o resultado primário do ano, que já está negativo em 11%”, dizem.

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos), indicou retomada longa em seu discurso

Susan Walsh/AP