Mercado abrirá em 7 h 38 min

Juros curtos fecham em queda leve com Renda Cidadã no foco

Victor Rezende
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No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2022 caiu de 3,36% no ajuste anterior para 3,29% e a do DI para janeiro de 2023 recuou de 4,82% para 4,78% O cenário fiscal se manteve como o principal guia para o mercado de juros nesta quarta-feira (7) e fez com que a curva a termo tivesse um dia de volatilidade significativa. A oscilação das taxas tem se dado de forma bastante abrangente, considerando a máxima e mínima do dia, os contratos mais líquidos oscilaram mais de 30 pontos-base. Notícias de que fontes do governo garantiram que o Renda Cidadã só sairá se for dentro do teto de gastos tiraram um pouco da tensão do mercado na segunda etapa dos negócios, especialmente nos vértices de prazos curtos e intermediários. No entanto, nos trechos de mais longo prazo da curva, os juros se mantiveram em alta, também com o investidor se antecipando ao leilão do Tesouro de amanhã. No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caiu de 3,36% no ajuste anterior para 3,29% e a do DI para janeiro de 2023 recuou de 4,82% para 4,78%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 avançou de 6,67% para 6,69% e a do DI para janeiro de 2027 subia de 7,55% para 7,61%. Os rumores de que há o desejo entre alguns integrantes do governo de abrir brechas para um novo Orçamento e Guerra em 2021 agitaram o mercado de juros desde o início do dia. Durante a manhã desta quarta, a notícia da revista “Veja” de que as medidas emergenciais de auxílio podem ser estendidas até junho de 2021 fizeram barulho no mercado e deixaram os investidores com a pulga atrás da orelha, mesmo depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, descartou uma extensão do Orçamento de Guerra. Durante a tarde, porém, as taxas, que se mantinham em alta firme, passaram a cair após fontes do governo enfatizarem a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro com o teto de gastos e garantirem que o Renda Cidadã só sairá se estiver dentro da âncora fiscal. Em carta referente a setembro, a Verde Asset aponta, inclusive, para a necessidade de o auxílio emergencial ser descontinuado a partir de janeiro. Um estudo feito pela gestora mostra que, com base em microdados, em agosto, o valor do programa “poderia ter sido de R$ 188 por adulto para que, na média dos domicílios que o receberam, a renda efetiva fosse exatamente a renda que o domicílio recebia habitualmente”. A Verde destaca, ainda, que, de agosto até agora, o grau de mobilidade deve ter aumentado “e provavelmente deve continuar subindo conforme o controle da pandemia se consolida”. Na avaliação da Verde, portanto, “a decisão acertada do ponto de vista fiscal e do propósito do programa é a de efetivamente descontinuar o programa a partir de janeiro, sem que isso tenha impactos profundos na renda recebida em relação ao que se observava antes da pandemia”. Os ruídos em torno da questão fiscal, contudo, têm deixado o mercado em dúvida quanto ao compromisso real do governo em deixar a dívida pública em uma trajetória sustentável.