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Juros curtos fecham em alta com aposta em retomada acelerada da economia

Victor Rezende

Os agentes também acompanharam comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento organizado pelo Goldman Sachs Em um dia marcado pelo bom humor nos mercados brasileiros e pela liquidez restrita, a curva a termo se mostrou um pouco mais achatada nesta segunda-feira (8), diante da alta das taxas futuras de curto prazo, enquanto as mais longas recuaram.

A percepção de que a retomada da economia pode se dar de forma mais acelerada que o esperado dá sustentação ao avanço das taxas nos trechos mais curtos e intermediários da curva. Além disso, os agentes também acompanharam comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento organizado pelo Goldman Sachs.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 2,18% no ajuste anterior para 2,19%; a do DI para janeiro de 2022 subiu de 3,07% para 3,13%; a do contrato para janeiro de 2023 avançou de 4,18% para 4,21%; a do DI para janeiro de 2025 caiu de 5,80% para 5,77%; e a do contrato para janeiro de 2027 cedeu de 6,77% para 6,71%.

Os juros futuros subiram nos trechos curtos e intermediários da curva nesta segunda-feira, dando prosseguimento ao movimento observado na sexta-feira (5), após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (o chamado“payroll”) de maio, que surpreendeu o mercado. Embora os dados tenham dado ânimo aos mercados quanto à possibilidade de retomada da economia, houve sinais renovados, no fim de semana, de que a normalização da economia global pode demorar um pouco mais.

Na China, as importações sofreram um tombo de 16,7% na comparação anual de maio, o que acendeu um sinal de alerta entre os economistas. Já na Alemanha, impressionou a queda de 17,9% da produção industrial entre março e abril, sendo o maior recuo da história. Por aqui, o Boletim Focus voltou a mostrar piora na expectativa do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) e, agora, a expectativa é de um tombo de 6,45% neste ano. Já a projeção para o PIB de 2021 se manteve inalterada em 3,5%.

Diante da fraqueza da atividade e dos sinais emitidos até o momento pelo BC, é consenso entre os analistas de mercado que o Comitê de Política Monetária (Copom) efetuará um novo corte na Selic, na próxima semana, e as apostas majoritárias apontam para uma redução de 0,75 ponto percentual. Hoje, durante evento do Goldman Sachs, Campos Neto reforçou o comunicado da reunião do Copom de maio e disse que, para a reunião de semana que vem, o comitê considera um último ajuste nos juros de até 0,75 ponto. No entanto, o dirigente também apontou que a variância do balanço de riscos se elevou.

Para o economista Homero Guizzo, da Guide Investimentos, após ser levada a 2,25% na semana que vem, a Selic deve sofrer um corte adicional de 0,50 ponto e terminar o ciclo em 1,75%. “A melhora nas condições financeiras dá um pouco mais de espaço para esse teste. Acreditamos que o ciclo de afrouxamento termina com a Selic em 1,75%, o que provavelmente é bem perto do lower bound, mas não cravamos um valor para esse limite”, diz.

Ao participar de “live” promovida pelo Stock Pickers, na manhã desta segunda, o economista-chefe da Verde Asset, Daniel Leichsenring, afirmou que, os trechos intermediários e longos da curva “estão com bastante prêmio”, tendo em vista o atual nível das taxas de curto prazo. “A inclinação está extremamente alta dado o juro que a gente tem hoje”, disse. Para ele, a tendência é a taxa de juros ser mantida em níveis baixos por bastante tempo. “Apesar dos problemas fiscais, temos condições de economia com ociosidade muito grande, inflação extremamente baixa, mesmo com a Selic indo para perto de 2%. Não vejo motivos para ter de subir juros, a não ser por um total descalabro fiscal.”