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Juros de curto prazo fecham em queda após tom mais ameno do Copom

Victor Rezende
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No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2022 recuou de 3,51% no ajuste anterior para 3,44% e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 5,03% para 4,98% O tom mais ameno do que o esperado pelo mercado adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, ontem, resultou em um processo de aumento da inclinação da curva de juros, com queda das taxas de curto prazo e leve alta das mais longas, nesta quinta-feira (29). O movimento chegou a ser mais expressivo pela manhã, mas perdeu fôlego após o Tesouro Nacional pisar no freio em relação à oferta de papéis prefixados mais longos e dar algum alívio ao mercado, levando o juros longos a se afastarem das máximas do dia. A oferta de apenas 2,5 milhões de LTNs de longo prazo (para janeiro de 2024) e de somente 800 mil NTN-Fs seguiu em linha com a premissa do Tesouro de respeitar as condições de mercado, que já estavam bastante deterioradas nos últimos dias. No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 recuou de 3,51% no ajuste anterior para 3,44% e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 5,03% para 4,98%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 subiu de 6,70% para 6,72% e a do DI para janeiro de 2027 avançou de 7,47% para 7,50%. Assim, o spread entre as taxas dos DIs para janeiro de 2022 e de 2027 aumentou de 3,96 pontos percentuais, ontem, para 4,06 pontos. “Embora os principais desafios fiscais do Brasil não tenham cedido em absoluto, o BC manteve uma estreita porta aberta para flexibilização monetária no futuro e reforçou seu ‘forward guidance’ [orientação futura] de nenhuma elevação [nos juros] enquanto suas condições estipuladas permanecerem válidas”, escreve o economista-chefe do Bradesco BBI, Dalton Gardimam, em relatório enviado a clientes. Ele diz, ainda, que, apesar de uma mudança de foco nas preocupações do BC, o tom do comunicado permaneceu “bastante dovish” (favorável a estímulos). O comportamento da curva de juros, que ganhou inclinação no pregão de hoje, materializou o tom mais ameno do Copom. “O comunicado trouxe apenas mudanças marginais e deixou uma fresta aberta para mais cortes. É como se o BC não tivesse se abalado nem com o coro do mercado para uma comunicação um pouco mais dura nem com a inflação mais alta no curto prazo”, afirma Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG. Ele, inclusive, esperava um tom mais neutro do Copom, o que não aconteceu. “Não acredito que os juros precisem subir imediatamente. Não é isso. E o BC tem tempo para identificar se a inflação é transitória ou permanente. Acho que ele poderia ter adotado um discurso mais neutro, mas os próximos 90 dias serão usados para avaliar o cenário e acredito que, se o BC perceber que errou, a posição será revista rapidamente”, afirma Kawa. O contexto para a maior inclinação da curva se dá, ainda, pelas pressões inflacionárias reforçadas pelo IGP-M de outubro, que veio acima das expectativas consensuais do mercado. Na visão de Pedro Dreux, sócio e gestor macro da Occam, a indicação do BC é a de que pode tolerar o câmbio ainda mais depreciado. “Rompemos a resistência de R$ 5,60 por dólar e agora esse nível pode ser suporte”, diz. Para ele, “o recado que a gente consegue depreender é o de que o BC vai ficar atrasado em relação ao ciclo”, tendo em vista que o mercado vê necessidade de uma normalização já no início de 2021, “mas o BC não está validando isso, o que é visto pelo tom ‘dovish’ do comunicado”.