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Juros do cheque especial caem para 165,5% ao ano após limite do BC

Carlo Cauti
Juros do cheque especial caem para 165,5% ao ano após limite do BC

As taxas de juros do cheque especial caíram para 165,6% ao ano em janeiro após o limite imposto pelo Banco Central (BC). Em dezembro os juros estavam em 247,6%.

Após a intervenção do Banco Central os juros do cheque especial caíram 82 pontos percentuais. Entretanto, mesmo com essa contração, acabaram ficando acima do teto estabelecido pela autoridade monetária central, que tinha fixado esse limite em 151,8% ao ano.

As novas regras, que começaram a valer desde o último dia 6 de janeiro, permitem também que os bancos cobrem pelo limite de crédito que disponibilizam no cheque especial. Antes da mudança, os bancos só podiam cobrar tarifas quando os clientes utilizavam o cheque especial.

Entretanto, os correntistas que tem até R$ 500 de limite no cheque especial não poderão ser cobrados. Somente que tiver mais pagará até 0,25% sobre o valor que exceder os R$ 500.

Segundo o Banco Central, taxa final dos juros do cheque especial ficou acima do limite de 8% pois as instituições financeiras também calculam outros custos pagos na hora de emprestar, como o Imposto sobre as Operações Financeiras (IOF).

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“Com esses fatores, a média agregada do sistema financeiro nacional, medida em taxas ao mês, ficou em 8,5%. O que indica, se fizer uma conta aproximada do que é o IOF, que os bancos de fato estão ofertando taxas no nível de 8% de determinado percentual da resolução”, salientou Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central.

Juros do cheque especial continuam elevados

Mesmo assim, com esse nível muito elevado de juros o cheque especial se confirma uma das modalidades de crédito mais caras do mercado. Isso pois os juros cobrados são muito mais elevados do que outras modalidades de créditos de pessoas físicas.

Confira o custo médio de outras modalidades de crédito:

  • Cheque especial: 165,6% ao ano
  • Rotativo do cartão de crédito: 316,8% ao ano
  • Cartão de crédito parcelado: 184,1% ao ano
  • Crédito pessoal não-consignado: 103,5% ao ano
  • Crédito pessoal consignado: 21,3% ao ano
  • Compra de veículos: 19,7% ao ano
  • Financiamento imobiliário: 7,4% ao ano

Esses números podem variar para cada situação específica, pois os bancos
oferecem taxas diferentes de acordo com o plano contratado pelo cliente, além do histórico de relacionamento com cada um.

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Segundo a especialista em finanças pessoais da SUNO Research, Gabriela Mosmann, o cheque especial é apenas uma forma de crédito emergencial. "É preciso ficar longe desse tipo de crédito, ao menos que não seja realmente necessário para fazer frente a algum tipo de imprevisto. E sempre por um período curto de tempo, pois os juros do cheque especial são muito elevados", explicou Mosmann,