Juros caem com proximidade do abismo fiscal nos EUA

O duro pronunciamento do senador democrata Harry Reid, evidenciando dificuldades para evitar que medidas que podem levar a economia norte-americana para a recessão entrem em vigor, determinou a queda dos juros futuros nesta quinta-feira. Mais cedo, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de dezembro, abaixo das estimativas, já havia trazido viés de baixa para as taxas projetadas pelos contratos de depósito interfinanceiro (DIs).

Ao término da negociação normal na BM&F, o DI com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,13%, de 7,14% no ajuste de ontem, com 125.325 negócios; o DI para janeiro de 2015 (131.745 contratos) indicava 7,73%, na mínima, de 7,78% na véspera; e o DI para janeiro de 2016 (31.480 contratos) apontava 8,20%, mínima, de 8,25% no ajuste anterior. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (42.385 contratos) tinha taxa de 8,46%, mínima, de 8,52% ontem, e o contrato para janeiro de 2021 (5.945 contratos) tinha taxa de 9,18%, mínima, ante 9,22% no ajuste anterior.

"Parece que estamos nos dirigindo para o abismo fiscal", afirmou hoje Reid, referindo-se a uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos que entrarão em vigor no começo do ano que vem caso não haja acordo no Congresso. O democrata acrescentou que a Câmara dos Representantes dos EUA, presidida pelo republicano John Boehner, está sendo governada "por uma ditadura".

Internamente, o IGP-M voltou para o terreno da inflação na passagem de novembro para dezembro, mas ficou abaixo do piso das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções. A inflação medida pelo índice fechou este mês em 0,68%, ante deflação de 0,03% no mês passado, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). As previsões dos analistas ouvidos pelo AE Projeções iam de 0,71% a 0,87%. No acumulado de 2012, o índice, que reajusta os contratos de aluguel, subiu 7,82%. As estimativas iam de 7,84% a 8,02%.

A desvalorização do dólar ante o real voltou a contribuir para a queda dos juros futuros, lembrou o gerente de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. "O dólar para baixo novamente, além da baixa liquidez, cenário externo conturbado e IGP-M abaixo do esperado explicam a queda dos DIs", disse. O dólar negociado à vista no balcão encerrou o dia cotado a R$ 2,044, em queda de 0,54%.

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