Juros caem com discussão sobre trajetória de inflação

As taxas futuras de juros operaram em queda desde o começo do dia, mas o movimento ganhou mais força na segunda metade da sessão desta segunda-feira. De acordo com profissionais da área de renda fixa, circula nas mesas de operação informação de que uma fonte do governo teria dito à imprensa que a piora do balanço de riscos da inflação no curto prazo, a que o Banco Central se referiu no comunicado que acompanhou a decisão da semana passada, está restrita aos primeiros meses do ano - janeiro e fevereiro. Depois disso, haveria descompressão de preços e tendência de convergência da inflação à meta. A mesma fonte teria reforçado que a atividade está mais fraca do que o antecipado. Pela manhã, as taxas já cediam levemente em reação à segunda prévia do IGP-M de janeiro, que ficou abaixo da mediana das estimativas.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa do contrato futuro para julho de 2013 (22.925 contratos) estava em 7,05%, de 7,07% no ajuste. O contrato para janeiro de 2014 (97.705 contratos) marcava mínima de 7,13%, de 7,18% na sexta-feira. O DI para janeiro de 2015 (130.950 contratos) indicava 7,81%, também na mínima, ante 7,88%. Entre os mais longos, o contrato para janeiro de 2017 (57.690 contratos) tinha taxa de 8,63%, ante 8,70%, e o DI para janeiro de 2021 (5.800 contratos) apontava mínima de 9,35%, ante 9,41% no ajuste.

"Esses comentários que circulam no mercado confirmam a leitura de que o BC pode estar vendo o balanço de riscos da inflação deteriorado agora, o que não quer dizer que não haverá melhora no médio e longo prazos", afirmou o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. "Isso, somado ao IGP-M mais fraco, que abriu espaço para devolução das altas da semana anterior, determina a queda dos juros hoje."

Pela manhã, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o IGP-M subiu 0,34% na segunda prévia deste mês, depois da alta de 0,41% na primeira prévia de janeiro e ante aumento de 0,69% em igual prévia de dezembro. Os preços dos produtos agrícolas no atacado caíram 0,11% na segunda prévia deste mês, de +1,25% em igual prévia de dezembro.

Por outro lado, o boletim Focus trouxe revisão para cima na expectativa de inflação pelo IPCA ao fim de 2013, de 5,53% para 5,65%. A mesma pesquisa revisou para baixo a estimativa de crescimento do PIB do País em 2013, de 3,20% para 3,19%. Quanto à Selic, a projeção para o fim de 2013 seguiu inalterada, em 7,25% ao ano. Para 2014, permaneceu em 8,25%.

Agora, os investidores aguardam a posição oficial do BC, por meio da ata da última reunião do Copom, sobre os riscos inflacionários e a atividade. Além disso, o mercado está interessado em saber como o Banco Central tratará da questão fiscal. Recentemente, várias autoridades da equipe econômica têm dito que o uso de abatimentos para cumprir o superávit primário em 2013 pode ocorrer, a exemplo do que foi feito em 2012. Até o Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, porém, o BC citava em seus cenários o cumprimento da meta cheia de superávit, de 3,1% do PIB.

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