Juros avançam com BC reforçando estabilidade da Selic

No dia em que diferentes autoridades do Banco Central reafirmaram a estratégia de manter a Selic estável por um longo período, bem como deram a entender que a atual política monetária não comporta um patamar de câmbio maior do que o atual, as taxas de juros voltaram a subir. Mesmo porque, os recentes dados de inflação mostraram uma piora consistente no comportamento dos preços, o que tende a inviabilizar qualquer tipo de afrouxamento. Em Brasília, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que qualquer movimento no câmbio tem de considerar a inflação. Em meio a isso, a melhora do ambiente externo, com dados positivos da Europa e dos Estados Unidos, ajudou a sustentar o avanço das taxas futuras.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F nesta terça-feira a taxa do contrato para julho de 2013 (136.885 contratos) subia para 7,05%, de 7,04% no ajuste. Já o juro para outubro de 2013 (2.570 contratos) avançava para 7,08%, de 7,04% na segunda-feira. O contrato futuro de juros com vencimento em janeiro de 2014 (484.645 contratos) marcava 7,10%, ante 7,05% na véspera ajuste. O contrato para janeiro de 2015 (138.660 contratos) estava em 7,65%, de 7,59% no fechamento anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (129.835 contratos) indicava 8,55%, ante 8,46% ontem, enquanto o DI para janeiro de 2021 (9.055 contratos) apontava máxima de 9,28%, ante 9,16% no ajuste.

Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Tombini reafirmou que a estabilidade das condições monetárias por tempo suficientemente prolongado é estratégia adequada para a convergência da inflação para a meta, que, segundo ele, ocorrerá em 2013. No mesmo evento, Tombini afirmou que o regime de câmbio flutuante não deve ser visto como motivo para apostas que gerem volatilidade e argumentou que o que se ganha com a desvalorização do câmbio se perde com a inflação.

Pouco antes, durante evento em São Paulo, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, reiterou que a política monetária mais adequada é a que o BC já vem adotando e a que consta do conteúdo da última ata do Copom. Segundo ele, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro diz que a inflação convergirá para o centro da meta, em termos anualizados, no terceiro trimestre de 2013.

A firmeza com que o BC começa a tratar a questão inflacionária encontra amparo nos últimos índices de preços. Ontem, a primeira prévia do IGP-M e o IPC-S da primeira quadrissemana de dezembro vieram acima das projeções do mercado. Nesta terça-feira a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou que o Índice de Preços aos Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, subiu 0,70% na primeira quadrissemana de dezembro, perto do teto das estimativas coletadas pelo AE Projeções, de 0,71%.

Entre os dados de atividade, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o emprego na indústria aumentou 0,4% na passagem de setembro para outubro, na série livre de influências sazonais. O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria teve ligeira alta de 0,1% em outubro ante setembro. E o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria avançou 1,1% em igual comparação.

No exterior, uma sequência de dados e notícias positivas sustentaram ganhos consistentes para os ativos de risco, o que também se reflete na alta das taxas futuras. Logo cedo o mercado se deparou com o forte avanço do índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha em dezembro, para 6,9, de -15,7 em novembro e bem acima da expectativa dos analistas, de -11,3. Além disso, a Espanha foi a mercado e vendeu mais do que o pretendido em um leilão de bônus, além de pagar menos por isso. Nos EUA, o avanço acima das expectativas nos estoques das empresas norte-americanas (+0,6%) adicionou combustível ao movimento de alta dos mercados acionários.

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