Juros abrem em leve queda so efeito Grécia

As incertezas sobre a nova parcela de ajuda à Grécia, que pode ser definida nesta segunda-feira em reunião dos ministros de Finanças da zona do euro, impõem viés de queda aos mercados acionários internacionais e também às taxas futuras de juros na manhã desta segunda-feira. Porém, a possibilidade de um acordo em torno do país mediterrâneo, até o fim do dia, pode reverter as perdas. Os investidores também digerem a revisão para baixo das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), conforme o Boletim Focus, e seguem atentos ao comportamento do dólar, nesta semana de última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Às 10h00, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2014 tinha taxa de 7,34%, de 7,33% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2015 marcava 7,96%, de 7,97%; e o DI para janeiro de 2016 apontava 8,45%, de 8,47%. Entre os vencimentos longos, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 projetava taxa de 8,75%, de 8,76% na sexta-feira; e o DI para janeiro de 2021 apontava 9,38%, de 9,41% no ajuste anterior.

Na avaliação do economista-chefe da Planner, Eduardo Velho, as taxas futuras iniciam o dia influenciadas pelo viés negativo do exterior diante da indefinição sobre o desembolso de uma nova parcela de ajuda para a Grécia. O assunto volta a ser discutido nesta manhã em reunião dos ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo). Mas, acrescenta ele, "a sinalização de um acordo pode fazer com que os mercados melhorem e revertam as quedas (das Bolsas)", o que ocorreria também com os juros futuros.

Ele afirma ainda que os investidores permanecem de olho na oscilação do dólar à vista no mercado doméstico. Segundo Velho, uma nova pressão sobre a moeda americana poderia contribuir para a abertura da curva a termo. "Mas está mais ou menos claro que, se houver novo estresse, o BC voltará a atuar", diz, referindo-se à atuação da autoridade monetária na última sexta-feira, quando o dólar cedeu dos R$ 2,12 para abaixo de R$ 2,10 após leilão de swap cambial.

Há pouco, o Banco Central informou, por meio do boletim semanal Focus, que os analistas do mercado financeiro fizeram pequenos ajustes nas suas estimativas para a inflação e o PIB em 2012 e 2013. A mediana das estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,45% para 5,43% neste ano e subiu de 5,39% para 5,40% no ano que vem. Os analistas revisaram ainda, para baixo, a projeção para o PIB em 2012 e em 2013, de 1,52% para 1,50% e de 3,96% para 3,94%, respectivamente.

Já a projeção para a Selic seguiu em 7,25% ao ano em novembro e fim de 2013. Os economistas consultados também mantiveram suas previsões para a taxa até abril de 2014. A previsão é que os juros sigam nos atuais 7,25% até o fim de 2013 e subam para 7,75% em janeiro de 2014.

Para o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Jankiel Santos, o Copom manterá a Selic estável em 7,25% nesta semana. "Pode-se não concordar com a conduta recente da autoridade monetária brasileira, dada a tendência inflacionária ao longo dos últimos meses - como nós - mas, felizmente, a mensagem transmitida na última reunião do comitê foi clara: o espaço para o corte da taxa básica de juros foi esgotado em outubro de 2012", afirmou Santos, em relatório que enviou a clientes no fim de semana.

Ao longo dos próximos dias, as atenções estarão voltadas, além do Copom, para o PIB do terceiro trimestre (sexta-feira), o resultado de novembro do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) (quinta-feira) e as notas do BC sobre crédito e política fiscal (quinta e sexta-feira).

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