Juro tem forte volatilidade e termina nas máximas do dia

Os investidores se mantêm firmes em suas apostas de que um novo ciclo de aperto monetário começará ainda no primeiro semestre deste ano. Após um dia de intensa movimentação nos contratos futuros de juros, as taxas encerraram o pregão em leve alta com relação aos ajustes da segunda-feira (18), ou seja, ainda com apostas consistentes de elevação da Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

A sessão, marcada por forte volatilidade, até começou com devolução de prêmios no início da manhã, após os dados de vendas do varejo mostrarem que a atividade econômica permanece rodando em nível abaixo do esperado. Mas as taxas reduziram a queda na sequência do discurso do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, em evento da autoridade monetária. Novamente à tarde, com a informação de que Tombini, em almoço com senadores, reforçou a visão de que a inflação permanecerá em níveis elevados ao longo do primeiro semestre, os juros voltaram a subir, fechando nas máximas do dia.

Ao término da sessão normal na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho deste ano encerrou em 7,20%, ante 7,22% do ajuste anterior, com 629.635 contratos. O DI para janeiro de 2014 projetou taxa de 7,75%, na máxima do dia, ante 7,73% do ajuste da segunda-feira (819.770 contratos). O contrato com vencimento em janeiro de 2015 fechou em 8,45%, também na máxima e estável em relação ao ajuste da véspera (525.930 contratos). Entre os vencimentos mais longos, o DI com vencimento em janeiro de 2017 encerrou com taxa de 9,15%, na máxima, contra 9,13% da segunda-feira (183.965 contratos); e o DI para janeiro de 2021 apontou 9,68%, também na máxima, de 9,66% (7.005 contratos).

Um novo posicionamento do Banco Central era bastante aguardado pelo mercado, principalmente após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter dado declarações no fim da semana passada de que o BC pode adotar medidas para conter a inflação caso os preços não recuem de forma espontânea. E a fala desta terça-feira do presidente do BC, em evento sobre custos para as instituições financeiras, foi entendida por operadores como uma reafirmação de que um aumento dos juros não está descartado.

Tombini fez questão de "deixar bem claro que não existe risco de descontrole da inflação" e que a estratégia de política monetária permanece a mesma neste momento. Mas ponderou que "quando necessário, se ensejado pelo cenário prospectivo para a inflação, a postura do Banco Central em relação à política monetária será adequadamente ajustada".

No fim do dia, os investidores aproveitaram ainda para zerar posições. A movimentação ganhou corpo após reportagem do jornalista Ricardo Brito, de Brasília, relatar encontro de Tombini com senadores. O presidente do BC disse aos parlamentares que o indicador de inflação está pressionado por fatores passados, como a quebra da safra agrícola norte-americana, o que elevou internacionalmente o preço das commodities e acabou gerando reflexos no Brasil; e admitiu que a inflação permanecerá alta no primeiro trimestre.

Segundo uma fonte com acesso à direção do BC, as afirmações de Tombini reforçam o que vem sendo falado recentemente nos bastidores da autoridade monetária. "Os juros não devem subir agora, pois o Copom avalia que a inflação vai diminuir ao longo do ano", especialmente no segundo semestre, disse a fonte. Mesmo porque o nível de atividade no Brasil é "preocupante, como mostrou nesta terça os resultados do comércio varejista de dezembro" e ainda não está se recuperando a patamares próximos do seu potencial, ressaltou a mesma fonte. Assim, o BC teria como plano de voo elevar os juros básicos apenas em 2014.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do varejo em dezembro e no acumulado de 2012. As vendas no conceito restrito caíram 0,5%, na série com ajuste sazonal em dezembro ante novembro. Neste caso, as estimativas iam de alta de 0,20% a 1,50%, com mediana de 0,80%.

Carregando...