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Juro futuro de curto prazo bate mínima histórica com Selic no foco

Victor Rezende

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 recuou à mínima histórica de 4,295%, após sair de 4,33% no ajuste anterior O processo de retomada da economia voltou a dar sinais de recuperação em ritmo gradual, o que reforçou, às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o cenário de taxas de juros baixas por um período prolongado. As perspectivas de inflação ainda em níveis comportados também se mantiveram no foco dos investidores e contribuíram para que os juros futuros exibissem um novo dia de queda firme em toda a curva a termo, nesta terça-feira (4).

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 recuou à mínima histórica de 4,295%, após sair de 4,33% no ajuste anterior. Nos cálculos da Quantitas, a curva indicava 86% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic amanhã. Também por volta de 16h, a taxa do DI para janeiro de 2022 cedeu de 4,93% para 4,89%; a do contrato para janeiro de 2023 passou de 5,46% para 5,44%; e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 6,15% para 6,11%.

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No primeiro dia de reuniões do Copom, que contemplou uma discussão sobre a conjuntura doméstica, o cenário desafiador de retomada da atividade continuou a imperar. A queda mais acentuada do que o esperado da produção industrial em dezembro e a queda no volume de veículos licenciados na comparação anual de janeiro deram novas pistas sobre a retomada gradual da economia brasileira. “As últimas observações não empolgam”, afirmou o economista-chefe da Tullett Prebon Brasil, Fernando Montero. “Nossas séries ajustadas sugerem o mercado [automotivo] estacionado.”

Ao mesmo tempo, as expectativas de inflação se mantiveram no centro do debate e analistas continuaram a ver o IPCA em níveis ainda mais distantes da meta de 4%, fixada para este ano. Na avaliação da equipe de estratégia de renda fixa do Morgan Stanley, a inflação comportada “dá força à possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião e sugere que, no próximo comunicado, o BC pode deixar a porta aberta para cortes adicionais”.

Uma das casas que projetam a Selic a 4% em março, a TD Securities argumenta que, mesmo após o BC ter soado mais conservador na reunião de dezembro do Copom em relação à dinâmica de crescimento, “a ameaça representada pelo coronavírus para o crescimento global, bem como o acordo comercial entre Estados Unidos e China, que implicaria em menor demanda por produtos brasileiros, sugere que ainda existem riscos firmes de crescimento menor”.

A Legacy, contudo, continua a projetar uma expansão de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano, mas ressalta que a inflação deve se manter em níveis bastante benignos. A gestora cortou sua estimativa para o IPCA deste ano de 3,4% para 3,1% e disse acreditar que, dado o tom de cautela do BC, “nosso entendimento é que os juros permanecerão estáveis em 4,25% por algum tempo, após o provável corte de 0,25 ponto percentual na Selic em fevereiro”.

O quadro de aceleração do crescimento, hiato do produto amplo, inflação baixa e ancorada e juros estáveis levou a Legacy a manter posição aplicada em juros reais nos trechos intermediários e longos da curva. “A melhora na perspectiva fiscal é significativa e vem recebendo, na nossa visão, menor atenção do que a merecida pelos investidores. Essa constatação, aliada ao fluxo de venda por parte de alocadores institucionais na ponta longa da curva de juros reais, tem intensificado a inclinação, o que age no sentido de reforçar nossa convicção nas posições aplicadas em NTN-Bs longas.”