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Juliette Freire, do ‘BBB 21’: a menina ‘braba’ que sofreu por ser gordinha na escola quer prêmio para pagar cirurgia da mãe

Carol Marques
·5 minuto de leitura

Não é raro ver Juliette Freire cantarolando versos de “Louca, triste ou má”: “Um homem não me define. Minha casa não me define. Minha carne não me define. Eu sou meu próprio lar”. Seja dentro do “BBB 21” ou fora de lá, o que diz a letra da música de Francisco El Hombre lhe cabe como uma armadura. Na casa, em que se sente muitas vezes impotente, como diz, já foi adjetivada com as três palavras. Aos 31 anos, a paraibana que ganhou nome de princesa por conta de uma novela — a personagem de Cláudia Abreu em “Que rei sou eu?”—, na vida, só quer ser real. “Ela desatinou, desatou nós.Vai viver só”, diz outra parte de sua canção-tema. Desatinada, pensou em desistir do jogo na primeira semana. O carisma moldado pela aridez de uma vida difícil, porém, a jogou nos braços do espectador. Nós desatados, Juliette já não vive da exclusão no reality.

Quem conhece a moça sabe que ela é tinhosa. “Juliette deu muito trabalho, porque era muito brabinha, sabe? Ela queria fazer as coisas, ser independente... Pegava ônibus e eu não sabia onde estava. Depois, aparecia e eu perguntava ‘onde tu estava Juliette?’. E ela não dizia nada. Era muito danadinha ela”, recorda Fátima Freire, cabeleireira, mãe da advogada.

Dona Fátima lembra a infância e a adolescência da filha, criada no bairro de Pedregal, na periferia de Campina Grande, considerado um dos mais perigosos da cidade. No meio de quatro irmãos mais velhos, Juliette fez da rua seu quintal. “Brincava muito na linha do trem, soltava pipa… Ela se dava muito bem com os irmãos, mesmo sendo mais nova. Depois passou a cuidar deles”, conta a mãe: “Mas eles defendiam muito ela também. O pai brigava um pouco porque Juliette era danada”.

As primeiras aulas foram na escolinha Sonho de Talita, que já não existe. O segundo grau foi completado numa escola particular. Nessa época Juliette descobriu o que era bullying. “Sim, ela sofreu por ser mais gordinha quando era mais nova. Nunca chegou a falar de algum apelido específico, não. Falava apenas que era muito triste viver aquilo”, conta Déborah Vidjinsky, amiga, sócia e administradora das redes sociais da BBB.

Fotos dessa época nem adianta procurar. Juliette desapareceu com todas. Algumas, no entanto, podem ser encontradas nas redes sociais dos irmãos. Foi justamente na fase mais difíicil da vida, que a implicância com ela começou na escola e se tornou um caso de polícia. Alguém pegou suas fotos no antigo Orkut e criou um perfil fake como se Juliette fosse garota de programa. Ela processou o Google, responsável pelo site de relacionamentos, em 2008 e sete anos depois ganhou a causa e R$ 15 mil de indenização. O trauma, contudo, ficou.

Não é de se estranhar então que Juliette quisesse tanto ser aceita pelos companheiros de confinamento. “Sei que minha filha sofreu muito lá dentro, mas agora está bem, se divertindo. Ela tem um coração muito bom e as pessoas estão a conhecendo”, defende a mãe, que evita assistir ao programa para não ver a maquiadora sofrer.

As duas se uniram ainda mais após a morte de Julienne, irmã de Juliette, vítima de um AVC aos 17 anos. A relação mãe e filha se inverteu, e a jovem passou a cuidar de Fátima, aos 19 anos. “Ela tinha medo de eu morrer. Até hoje tem. Já falou várias vezes no ‘BBB’ para eu me cuidar”, observa. O irmão mais ligado a Juliette, Washington Feitosa, lembra de como a irmã passou pelo turbilhão de emoções da época: “Ela não comia, não dormia, não sorria. Era o tempo todo com minha irmã no hospital e com a mãe dela. Teve que amadurecer rápido demais diante de circunstâncias tão ruins”.

Já adulta, Juliette passou pela terapia e ficou ainda mais independente. Passou numa ótima colocação para cursar Direito na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, e se mudou para a capital. Já era outra Juliette. Mais segura, mais bonita, paquerada... “Ela sempre chama atenção nas festas. Mas não cai na lábia de qualquer um, não. Os perfis que a atraem são os mais intelectuais. Homens inteligentes, que gostam de cultura, música e literatura”, descreve a amiga Déborah: “Juliette é muito festeira, ama carnaval, São João, música eletrônica… Mas não faz a linha pegadora”.

Juliette foi noiva durante cinco anos, depois teve outro relacionamento sério por quase um. Mas desistiu de seguir a tradição casamento/filhos antes dos 30 anos em nome de sua independência. Nas rodas de amigos, costuma ser tagarela do mesmo jeito que é no “BBB 21”. “As pessoas pedem para ela se calar! Mas a verdade é que somos acostumados com essa característica dela. Levamos no bom humor na maioria das vezes”, diverte-se Déborah, que descreve a amiga: “Ela é alguém forte e resiliente, que usa as adversidades para evoluir. Juliette é uma amiga leal e justa. É essa pessoa alegre, que muitas vezes fala demais, mas tem o coração do tamanho proporcional à sua boca falante! É batalhadora e não desiste fácil das coisas”.

Fátima, a mãe, nem dimensiona ainda a possibilidade de a filha voltar para casa com R$ 1,5 milhão. E uma parte dele seria destinada a uma cirurgia delicada que a cabeleireira precisa fazer no coração: “Meu sonho é que minha filha seja muito feliz, que compre uma casa própria para ela e um carrinho. Está bom já”.