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Julho Verde: Começa o mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço

·6 minuto de leitura
Julho Verde: Começa o mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço
Julho Verde: Começa o mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço

Neste mês, acontece a campanha de conscientização do câncer de cabeça e pescoço, denominada “Julho Verde”. A ação é promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), com o objetivo de orientar no sentido da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.

Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) alerta sobre a necessidade de diagnosticar precocemente o câncer de cabeça e pescoço. Image: PeopleImages -Istockphoto
Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) alerta sobre a necessidade de diagnosticar precocemente o câncer de cabeça e pescoço. Image: PeopleImages -Istockphoto

Dados recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que 43 mil novos casos de tumores nessa região surgem anualmente, ao mesmo tempo em que 10 mil pessoas morrem em decorrência da enfermidade.

Embora os dados já sejam alarmantes, especialistas temem que as taxas se elevem ainda mais, haja vista o medo e receio das pessoas em “quebrar” o isolamento social para recorrer a consultas médicas em meio à pandemia de Covid-19. Esse comportamento acaba por postergar o diagnóstico, levando ao reconhecimento tardio da doença, quando já não há tantas perspectivas de cura.

De acordo com a oncologista Tracy Dias, em entrevista ao jornal Estado de Minas, “quando a doença é diagnosticada em estado já avançado, as chances de cura ficam em torno de 40%, enquanto a probabilidade em tumores precoces pode chegar a 90%”.

O médico Bruno Aragão, também oncologista clínico do Cetus Oncologista, mesma instituição em que Dias trabalha, salienta que, em razão da pandemia de Covid-19, é possível que haja um aumento na incidência de óbitos por câncer de cabeça e pescoço. “Devido à pandemia, calcula-se aumento de 20% na mortalidade nos tumores de cabeça e pescoço, uma vez que houve aumento do consumo de álcool e fumo, além do sedentarismo e aumento de peso, provocado pelo isolamento social. Uma diminuição das percepções das pessoas quanto aos sintomas e queda na procura de auxílio médico são outras razões para a subida de casos”.

Detectar a doença o quanto mais cedo possível é importante, também, porque, “os tumores avançados demandam tratamentos mais específicos e invasivos, como quimioterapia e radioterapia, para tentar aumentar as chances de sobrevida”, afirma Dias.

Como diagnosticar o câncer de cabeça e pescoço

De acordo com os especialistas, para descobrir nódulos nocivos na cabeça e no pescoço são necessários exames de imagem, como radiografias, ressonância magnética, ultrassonografia, endoscopia, laringoscopia e tomografia.

Exames de imagem, como radiografias e ressonância magnética, são indicados para detectar a existência de nódulos nocivos. Imagem: utah778 – Istockphoto
Exames de imagem, como radiografias e ressonância magnética, são indicados para detectar a existência de nódulos nocivos. Imagem: utah778 – Istockphoto

“A partir do momento em que os nódulos são encontrados, é solicitada uma biópsia para que seja atestada a histologia do tumor, ou seja, a confirmação diagnóstica. A investigação deste câncer será necessária nos casos em que o paciente começa a se queixar de nódulos no pescoço, dificuldade de engolir, presença de lesões na boca com sangramento ou de difícil cicatrização, além de mudanças repentinas no timbre da voz”, explica a oncologista.

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Esses são alguns dos sinais dados pelo corpo que podem ser um sinal de alerta em relação à doença. A partir dos resultados dos exames, o médico verifica o melhor tratamento a ser indicado. “Na maioria dos casos, é cirúrgico”, afirma o oncologista Sandro Lana. “A radioterapia e a quimioterapia também podem ser indicadas”.

De acordo com a médica Flávia Amaral Duarte, no caso da neoplasia maligna já em estágio de metástase, a imunoterapia é indicada, aumentando a sobrevida desses pacientes.

Fumo é fator de risco para câncer de cabeça e pescoço

O câncer de cabeça e pescoço engloba, de forma geral, os tumores das cavidades oral e nasal, garganta, glândulas tireoide, paratireoides e salivares.

O fumo não é um fator de risco exclusivo para câncer de pulmão, como muitas pessoas pensam. Esse mau hábito pode ocasionar câncer de cabeça e pescoço também. Imagem: Skynesher – Istockphoto
O fumo não é um fator de risco exclusivo para câncer de pulmão, como muitas pessoas pensam. Esse mau hábito pode ocasionar câncer de cabeça e pescoço também. Imagem: Skynesher – Istockphoto

Embora muitas pessoas relacionem o tabagismo somente ao câncer de pulmão, ele é também um dos principais fatores de risco para desenvolvimento de cânceres de cabeça e pescoço.

Outros fatores importantes são o consumo de bebida alcoólica, obesidade e infecções por HPV, segundo especialistas.

Sendo o diagnóstico tardio ou precoce, o câncer de cabeça e pescoço pode ocasionar sérios danos à saúde do paciente. “A longo prazo, mesmo em pacientes já curados, alguns sintomas são comuns, como alterações do funcionamento da tireoide, alteração do paladar e ressecamento da cavidade oral – falta de saliva, o que chamamos de xerostomia”, explica Duarte.

“A doença e o tratamento podem ocasionar mutilações da língua, nariz, laringe, face e muitas vezes gerar a necessidade de traqueostomia definitiva. O uso de sondas para poder se alimentar, próteses para reconstruir a face, além da perda de olfato, paladar, desnutrição e morte são outros danos lamentáveis que este câncer pode causar”, afirma Aragão.

Tratamentos podem deixar sequelas

Os médicos ouvidos pela reportagem afirmam que os tratamentos podem deixar algumas sequelas. “Cirurgias muito extensas ou mutilantes podem, infelizmente, demandar a necessidade de remoção de partes da face ou do pescoço, o que causa prejuízos estéticos e, consequentemente, danos na autoestima. Além disso, a radioterapia pode provocar danos na pele, similares aos causados pelas queimaduras solares e inflamação das mucosas. Em alguns casos, o paciente fica com dificuldades na fala e rouquidão persistente”, explica Dias.

Dados os riscos de queda na qualidade de vida, bem como os altos índices de mortalidade em decorrência do câncer de cabeça e pescoço, a prevenção é a melhor amiga do paciente. “O câncer de cabeça e pescoço é evitável e está intimamente ligado aos nossos hábitos. Quando adquirido, é um câncer que realmente traz muitas marcas ao nosso organismo. Apesar da evolução dos tratamentos, ele ainda é grave. Por isso, o ideal é não ter. E isso está nas nossas mãos, por meio de atenção aos nossos hábitos e vícios”, orienta Aragão.

A prevenção requer cuidados primários e secundários. Conforme explica Tracy Dias, “é possível, por exemplo, se atentar aos fatores comportamentais que causam a doença: eliminar o álcool e o tabagismo, realizar a higiene bucal de forma adequada, manter o acompanhamento médico ou odontológico e alimentação saudável.”

Além disso, a prática de exercícios físicos é importante para prevenir muitos cânceres, incluindo o de cabeça e pescoço.

“Ainda, mantenha a alimentação saudável e balanceada, e hidrate-se. Vá ao dentista, pelo menos, a cada seis meses, e se aparecerem feridas na boca, caroços no pescoço ou rouquidão com falta de ar, procure um especialista”, recomenda Aragão.

Ainda de acordo com o oncologista, é importante que as pessoas se previnam contra o HPV, fator de risco para a doença.

“O uso de preservativo para evitar a contaminação por HPV e vacinação contra esse vírus em meninas entre 9 e 14 anos e nos meninos entre 11 e 14 pode proteger da enfermidade. O SUS, inclusive, fornece gratuitamente as doses”, orienta.

Já os cuidados secundários envolvem o diagnóstico precoce. Para isso, os médicos são unânimes em afirmar que é necessário que a pessoa conheça o próprio corpo e saiba identificar qualquer anormalidade, para buscar ajuda médica diante de qualquer alteração encontrada.

“Seja uma ferida que não cicatriza, um nódulo suspeito ou qualquer outro sintoma que possa ser indício da neoplasia”, explica Flávia Duarte. “É importante que os pacientes estejam atentos a alterações”, afirma.

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