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Juiz suspende julgamento da Kiss por jogo entre Corinthians e Grêmio

·3 min de leitura
*ARQUIVO* SANTA MARIA, RS, 16-01-2018: Fachada da boate Kiss, em Santa Maria, cinco anos depois do incêndio que deixou 242 mortos. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*ARQUIVO* SANTA MARIA, RS, 16-01-2018: Fachada da boate Kiss, em Santa Maria, cinco anos depois do incêndio que deixou 242 mortos. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O quinto dia de julgamento pelas mortes e tentativas de homicídio da boate Kiss, em Porto Alegre, neste domingo (5), terá uma hora de intervalo a partir das 17h, para que jurados e outros possam acompanhar ao menos o segundo tempo da partida entre Grêmio e Corinthians.

A partida ocorre a partir das 16h, em São Paulo, com o tricolor gaúcho lutando contra o rebaixamento para a série B. A ideia foi sugerida pelo juiz Orlando Faccini Neto, natural de São Paulo e corintiano, ainda no sábado.

"Vou viabilizar, se todos concordarem, que eles vejam pelo menos o segundo tempo do jogo, para dar uma relaxada, e aí, depois à noite, a gente segue", afirmou ele.

O júri pelas 242 mortes e 636 vítimas sobreviventes do incêndio ocorre em Porto Alegre depois que algumas defesas dos réus pediram o desaforamento, questionando se Santa Maria (RS), cidade onde aconteceu a tragédia, poderia garantir um júri imparcial.

Quatro réus são acusados por homicídio e tentativa de homicídio simples com dolo eventual contra as pessoas que estavam na boate na madrugada de 27 de janeiro de 2013 -os sócios da Kiss, Elissandro Spohr e Mauro Hoffman, e os integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos (vocalista) e Luciano Bonilha Leão (assistente de palco, que teria comprado o artefato pirotécnico usado).

Neste domingo, o júri ouviu uma pessoa. Tiago Mutti, engenheiro civil, cujos familiares foram os primeiros donos da Kiss, passou de testemunha, chamado pela defesa de Hoffmann, para informante a pedido do Ministério Público. A Promotoria justificou apontando que ele responde a processo por falsidade ideológica ligado ao caso Kiss.

"Acho que a Polícia Civil acertou em muita coisa, só que em outras coisas eles erram. Minha família, nós fomos processados injustamente", afirmou ele durante o depoimento.

Diferente de testemunhas, informantes não têm obrigação de prestar compromisso de dizer a verdade, não podendo assim responder por crime de falso testemunho. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, assim, o depoimento de uma testemunha tem um peso maior.

Ele contou como foram as obras de adaptação do prédio, onde funcionava um cursinho, para a boate e sobre o processo de venda da parte da sua irmã para Elissandro Spohr -ele teria pagado com R$ 10 mil e um carro usado, modelo New Beetle, com valor em torno de R$ 40.000. Segundo ele, Spohr disse que só pagaria após sair o alvará da prefeitura, como ocorreu.

Mutti disse ainda que a boate não era bem-sucedida, com sua família, e que voltou ao local apenas em 27 de dezembro de 2012, exatamente um mês antes da tragédia, para uma festa a convite de Spohr. Ele afirmou que achou a boate muito boa, após outra reforma, e que não viu espuma no local.

Além dele, mais uma vítima deve ser ouvida neste domingo, Delvani Brondani Rosso -assim como informantes, as vítimas não têm de prestar compromisso de dizer a verdade, portanto, tecnicamente, não são consideradas testemunhas.

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