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Juiz absolve assessor de Bolsonaro acusado de fazer gesto racista no Senado

·2 min de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 15.07.2021 - O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 15.07.2021 - O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A 12ª Vara Federal de Brasília absolveu o assessor internacional da Presidência da República Filipe Martins de uma denúncia que o acusava de ter cometido o crime de racismo. Cabe recurso da decisão.

De acordo com o Ministério Público Federal, Martins "induziu e incitou a discriminação e o preconceito de raça, cor e etnia, em detrimento da população negra em geral e contra outros grupos sociais não brancos" ao reproduzir um gesto ligado à ideia de supremacia branca durante uma sessão do Senado em 24 de março.

Enquanto o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG),discursava, ele fez um círculo com o dedo indicador e o dedão, enquanto os demais dedos ficaram esticados.

Para o juiz Marcus Vinicius Reis, no entanto, não há elementos suficientes para comprovar essa acusação.

"Nada há nos autos que dê suporte a essas ilações. Em verdade, o Ministério Público Federal presume que o denunciado portou-se com o fim de exprimir mensagem de supremacia da raça branca sobre as demais. Dita versão tem o mesmo valor probante daquela afirmada pelo acusado --a de que estava 'passando a mão no terno e depois arrumando sua lapela, para remover os vincos'-- a saber, nenhum", escreveu Reis.

À época, o assessor acompanhava o então chanceler Ernesto Araújo, que participava de sessão temática para explicar os esforços do Ministério das Relações Exteriores para obter vacinas contra o coronavírus.

Ao prestar depoimento sobre o caso, Martins afirmou que "não houve intuito específico [no gesto], pois estava na verdade ajustando seu terno".

O assessor especial disse que, em razão de sua formação --ele é bacharel em relações internacionais-- e atuação acadêmica, ele tem conhecimento das questões ideológicas ligadas aos temas de supremacismo, nazismo e extrema direita, além de ter noção do gesto supremacista a ele imputado.

Declarou ainda que "não há qualquer simbologia ligada a qualquer questão ideológica e tampouco finalidade ofensiva a quem quer que seja" e citou ainda "que o gesto foi involuntário".

Em países que vivenciam o crescimento de movimentos de extrema direita, o gesto feito é ligado ao movimento supremacista branco. Os três dedos esticados simbolizam a letra "w", que seria uma referência à palavra em inglês "white" (branco). O círculo formado representa a letra "p", para a palavra "power" (poder). Ou seja, o símbolo é apontado como um símbolo do "poder branco".

Pesquisadores que estudam as simbologias da extrema direita alegam que o gesto vem sendo utilizado como uma mensagem codificada com o intuito de que membros de grupos racistas possam identificar uns aos outros.

A denúncia do MPF foi resultado de apuração iniciada pela Polícia Legislativa do Senado. O órgão pedia que Martins fosse condenado à prisão, ao pagamento de multa mínima de R$ 30 mil e à perda da função pública.

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