Juízes egípcios decidem entrar em greve como protesto contra Mursi

Cairo, 24 nov (EFE).- A Assembleia Geral do Clube de Juízes, a associação da magistratura no Egito, decidiu neste sábado suspender os trabalhos em todos os tribunais e procuradorias do país, em protesto pelas últimas medidas do presidente egípcio, Mohammed Mursi, informou a agência oficial egípcia "Mena".

Em comunicado, a organização anunciou que expulsará os membros que descumpram a greve, e pediu ao Conselho Supremo de Justiça, o mais alto órgão do poder judiciário, para "retirar a confiança" aos que não deixem de trabalhar.

Do mesmo forma, o Clube de Juízes reivindicou que Mursi emita uma resolução "imediata" para anular a declaração constitucional promulgada na quinta-feira, na qual o presidente se blindou perante a Justiça e declarou suas decisões "inapeláveis".

Além disso, a associação exigiu que esta retratação faça referência a todas as partes da declaração, "especialmente a que inclui a destituição do procurador-geral, Abdelmeguid Mahmoud".

Em sua ata constitucional, Mursi outorgou o poder de cassar o procurador-geral, que até agora era uma prerrogativa judicial, e substituiu Mahmoud pelo juiz Talaat Ibrahi.

O Clube de Juízes se referiu a este último, ao pedir que "se retire" e abandone o cargo que acaba de assumir, segundo a decisão dos mais de 7 mil magistrados reunidos na Assembleia Geral.

A filial do Clube de Juízes em Alexandria já tinha anunciado hoje o começo de uma greve na província, além da paralisação em outras duas províncias ao norte do Cairo. EFE

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