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Jovem polonesa cria site de beleza falso pra ajudar mulheres agredidas

Anna Maria Jakubek
·3 minuto de leitura
Krysia Paszko, de 18 anos, em sua casa em Varsóvia

Preocupada com o aumento da violência doméstica durante o confinamento pela pandemia, Krysia Paszko, uma polonesa de 18 anos, criou um site que parece ser uma loja online de produtos de beleza, mas que, na realidade, oferece ajuda discretamente às vítimas.

"A inspiração para essa ideia veio da França, onde, quando você vai à farmácia e pede a máscara número 19, pode indicar que é vítima de abuso", declarou à AFP a estudante de Varsóvia.

A jovem acredita que a Polônia também precisa de uma espécie de código durante a pandemia, quando as famílias permanecem trancadas sob o mesmo teto por 24 horas, com riscos significativos de estresse e violência.

Durante o primeiro confinamento, o Centro de Direitos das Mulheres, uma ONG polonesa, registrou um aumento de 50% nas ligações para o seu número de emergência que oferece apoio em caso de violência doméstica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também observou um aumento desse tipo de agressão na Europa.

Krysia Paszko criou sua loja Rumianki i Bratki (Camomilas e Pensamentos) no Facebook em abril de 2020. Com fotos de sabonetes de lavanda e máscaras faciais de sálvia, a loja falsa parece real.

Mas, em vez de vendedores, do outro lado da tela está uma equipe de psicólogas voluntárias do Centro de Direitos das Mulheres.

"Se alguém faz um pedido e dá o endereço, é um sinal de que precisa da polícia para agir imediatamente", explica a jovem.

Aqueles que querem apenas conversar pedirão mais informações sobre um produto e os psicólogos farão mais perguntas importantes: "Como a pele de uma pessoa reage ao álcool?" ou "Você realmente precisa de cosméticos para crianças?"

- "Vigiada constantemente" -

A equipe já atendeu cerca de 350 pessoas, propondo principalmente assessoria jurídica gratuita e planos de ação.

Paszko ressalta que "quanto mais restrições, quanto mais difícil é sair de casa", mais pessoas lhes escrevem.

"E muitas vezes, os agressores ficam mais ativos quando o período é difícil, quando há mais infecções, mais restrições, mais medo da pandemia", afirma.

A maioria das pessoas que os contatam são mulheres com menos de 30 anos. O abuso pode ser físico ou psicológico, por um parceiro ou pai.

Entre 10% e 20% dos casos resultaram em ligações para a polícia.

"Lembro-me de uma jovem que era constantemente vigiada pelo parceiro e que só conseguia nos escrever quando dava banho no filho", explica Paszko.

A mulher já havia tentado sair do relacionamento, mas o companheiro, alcoólatra e agressor, se recusou a deixar a casa.

Graças à intervenção de sua equipe, a polícia chegou e "o fez devolver as chaves, informando-o das consequências se ele voltasse", conta Paszko. "Felizmente, foi o fim da violência."

Por seus esforços, Paszko ganhou o prêmio à solidariedade civil da União Europeia (UE), uma recompensa de 10.000 euros (quase US$ 11.900) por iniciativas ligadas à covid.

A jovem lamenta que a Polônia "ignore um pouco e ponha de lado" o problema da violência doméstica. "É necessário apoio adicional do governo".

O partido conservador e nacionalista Lei e Justiça no poder quer retirar a Polônia da Convenção de Istambul, um tratado internacional para proteger as mulheres da violência sexista.

Em 2020, o ministro da Justiça anunciou que lançaria o processo de retirada do tratado, por considerar que contém dispositivos que minam os valores conservadores sobre a família.

Apesar dos protestos na Polônia e no exterior, o processo continua.

O projeto, que está sendo debatido no parlamento por iniciativa da organização ultraconservadora Ordo Iuris, propõe uma nova convenção que proíbe o aborto e o casamento homossexual.

amj/dt/bo/sw/tjc/mis/mr