Mercado abrirá em 1 h 19 min

Jovem Joe Biden encontrou confiança e aceitação no futebol americano

ALEX SABINO
·4 minuto de leitura
*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  17-06-2014, 10h00: O presidente americano Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 17-06-2014, 10h00: O presidente americano Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Logo nos primeiros dias na escola prepatatória Archmere Academy, onde finalizou o ensino médio na cidade de Claymont, estado do Delaware, Joe Biden foi apelidado de "Dash" (palavra de vários significados, entre eles colisão, ímpeto e corrida).

Poderia ser porque corria rápido, o que era verdade. Mas foi pelo seu jeito atropelado de falar, tropeçando nas palavras. O garoto tinha gagueira crônica.

Nesta quarta-feira (20), aos 78 anos, Biden toma posse como o 46º presidente dos Estados Unidos.

O adolescente que limpava janelas para ajudar os pais a pagar o prestigioso colégio encontrou no esporte uma maneira de se destacar. Ele foi o astro do time de futebol americano na temporada de 1960.

Archmere, que vinha de sucessivos campeonatos ruins, terminou aquele ano invicto, com oito vitórias em oito jogos e o título da conferência.

Como halfback (jogador que corre com a bola) ou wide receiver (recebedor de passes), Biden também passou a ter maior autoestima.

"Apesar de eu não ter confiança na minha habilidade para me comunicar verbalmente, sempre tive confiança na minha habilidade atlética. Esporte era algo tão natural para mim quanto falar era não natural. E o esporte foi meu ingresso para ser aceito --e mais. Eu não era intimidado com facilidade em uma partida, então, mesmo se eu gaguejasse, era o garoto que dizia: 'me dê a bola"', ele escreveu em seu livro de memórias "Promises to keep: on life and politics" (Promessas a manter: na vida e política, sem publicação no Brasil).

"Joe era muito veloz. Era o jogador para você procurar em campo nas situações difíceis. Nas nossas oito vitórias, ele foi peça fundamental", disse Robert Markel, colega de Biden na equipe da Archmere Academy.

Em entrevista ao The New York Times em 2008, John Walsh, técnico de Biden na mesma escola escola afirmou que o político era o melhor recebedor da equipe e poderia ter se destacado no college football, o campeonato universitário.

"Biden é o realmente o wide receiver que mais se destaca", escreveu o The News Journal, de Wilmington, sobre os jogadores da academia durante a temporada em 1960.

Quando Walsh foi introduzido no hall da fama do esporte do Delaware, em 2012, o então vice-presidente dos EUA aceitou o convite para fazer um discurso em homenagem ao seu antigo treinador.

"Walsh nos pediu para jogar da mesma forma como vivíamos a nossa vida, com paixão e integridade", disse. "Não importa o quão bom você é, o importante é fazer parte de uma equipe."

Com a mudança na Casa Branca, sede do governo americano, o comando do país muda de um ex-cartola para um ex-atleta. Donald Trump foi dono, de 1984 a 1985, do New Jersey Generals, franquia de futebol americano que fazia parte da extinta USFL, campeonato criado para competir com a NFL (a liga profissional predominante do esporte).

O documentário "Small Potatoes: who killed the USFL?" diz ter sido Trump o responsável pelo fim da entidade por insistir que ela, que realizava seu torneio no verão americano e concorria com a temporada de beisebol, mudasse para o outono e inverno para bater de frente com a NFL.

Instigados pelo dono dos Generals, os demais dirigentes da USFL entraram com processo de US$ 567 milhões (R$ 3,3 bilhões em valores atuais) contra a NFL por suposto monopólio. Tiveram decisão favorável, mas a indenização determinada pelo juiz foi de US$ 1. Com a multa aplicada, o valor passou a US$ 3. A USFL faliu.

Dirigentes depois acusaram Trump de querer promover um acordo que lhe desse uma franquia da NFL, de preferência em Las Vegas, onde tinha cassino. Não deu certo. A decepção o teria empurrado para a política e, em 2016, para a eleição presidencial que venceu.

Esperava-se que o novo presidente fosse destaque também na Universidade do Delaware, onde se matriculou para estudar história e ciências políticas. Ele conseguiu ser selecionado para a equipe, mas foi um wide receiver discreto.

Biden foi criticado em 2012 por veículos de imprensa conservadores ao falar a respeito de sua participação em um jogo contra a Universidade de Ohio. O então vice-presidente deu detalhes do confronto e o placar (corretamente). Mas os registros da Universidade de Delaware mostram que ele não atuou na partida.

O futuro político admite que não teve boa carreira esportiva universitária. Além de ser pouco escalado, suas notas foram ruins em 1962. Seu pai pediu que ele deixasse a equipe e focasse os estudos.

Depois de mais de dois anos parado, Biden resolveu tentar novamente e foi selecionado para a equipe como defensor, algo que o surpreendeu. Nas férias seguintes, na Flórida, ele conheceu Neilia Hunter e se apaixonou.

Entre passar os finais de semana com a namorada, com quem se casaria em 1966, ou jogar futebol, Biden escolheu Neilia e abandonou de vez o time.

Após deixar a universidade, ele trabalhou como advogado e aos 30 anos, em 1972, tornou-se senador, cargo que manteve em eleições sucessivas por 36 anos. Em 2008, foi eleito como vice na chapa liderada por Barack Obama e, no ano passado, derrotou Trump no pleito presidencial.