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Cobrador de ônibus é acusado de assédio em São Paulo: 'se masturbando olhando pra mim'

João Conrado Kneipp
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Episódio de assédio teria ocorrido no interior do ônibus que fazia a linha 647A/10 Pinheiros – Valo Velho, em São Paulo. (Foto: Arquivo Pessoal)
Episódio de assédio teria ocorrido no interior do ônibus que fazia a linha 647A/10 Pinheiros – Valo Velho, em São Paulo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Um cobrador de ônibus de 52 anos foi acusado por uma jovem de assediá-la sexualmente dentro do transporte coletivo, na tarde desta segunda-feira (21), em São Paulo.

A editora e videomaker, de 22 anos, prestou uma queixa na Polícia Civil, registrada como ato obsceno, na qual afirma que o trocador estava masturbando-se com a mão dentro da calça e olhando para ela. Ao ser confrontado pela jovem, o cobrador a teria chamado de “maluca” e “louca”, segundo ela.

O episódio de assédio sexual aconteceu dentro do ônibus de prefixo 77.827, que operava na linha 647A/10 Pinheiros – Valo Velho, que a vítima utiliza diariamente. Ao entrar no veículo, por volta das 13h30, a jovem sentou em um banco de frente para o funcionário e, segundo ela, desde o começo da viagem percebeu os olhares fixos em sua direção.

“Eu estava em um banco de frente para ele, e ele olhava fixamente para mim. Uma situação super desconfortável. Olhava para meu celular e, quando olhei de novo, ele estava com a mão dentro do zíper da calça, se masturbando e olhando para mim”, contou a jovem, que preferiu não ser identificada.

A vítima desviou o olhar imediatamente e, ao se levantar, viu o cobrador fechando o zíper. Ela conta que a parte dianteira do ônibus do ônibus estava mais vazia e procurou por testemunhas. A jovem ainda tirou duas fotos do cobrador, na tentativa da flagrar o assédio.

“Tinha pouca gente ali e ninguém em posição que desse para ver. Levantei e fui falar com o motorista. Ele (motorista) fez umas ligações, pediu as votos e avisou aos passageiros que iria levar o ônibus para a delegacia mais próxima para registrar a ocorrência”.

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A jovem conta ainda que, ao levar o caso para o motorista, o cobrador teve uma reação descontrolada. “Ele começou a berrar, me chamou de louca, de maluca. Falou que era casado, que tinha filhos, que não tinha porque fazer isso. E que iria atrás de uma advogada para me incriminar”.

Segundo o registro da ocorrência, feito no 89º Distrito Policial, no Jardim Taboão, o motorista perguntou ao cobrador se aquilo teria acontecido e ouviu que “não”. O condutor também perguntou aos restantes dos passageiros se alguém tinha visto ou se disponibilizava a ir juntamente à delegacia, mas eles negaram.

Na versão apresentada pelo cobrador, classificado como “averiguado” no boletim de ocorrência, ele também negou a acusação da jovem. O trocador, no entanto, confirmou que houve um “princípio de discussão” entre os dois quando a vítima lhe perguntou o porquê teria feito o gesto.

A Polícia Civil informou que colheu as fotografias tiradas pela vítima e que irá realizar outras diligências já que não ficou comprovada “a conduta indicada pela vítima ou as alegações do investigado”. O caso será encaminhado para o DP da área do fato.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, informou que acionou a operadora de ônibus assim que tomou conhecimento da ocorrência para solicitar mais esclarecimentos e as providências necessárias.

“Vale esclarecer que a ação denunciada não está de acordo com a conduta exigida dos funcionários terceirizados do município. A SPTrans repudia qualquer tipo de abuso no transporte público e realiza campanhas preventivas sobre esse tema em materiais afixados nos ônibus e terminais”, completou a secretaria, em nota.