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Datena, de novo, é cotado para prefeitura de SP. Vai topar dessa vez?

Datena apresenta o 'Brasil Urgente' (Reprodução / Band)


Já virou tradição em ano eleitoral: mal esfriam os rojões da virada,  e as atenções do mundo político se voltam aos passos, sinais e trejeitos estrambólicos de José Luiz Datena.

Não por causa de seu programa policialesco, mas da sua vontade de se lançar oficialmente na política.

O apresentador é cotado para a disputa da Prefeitura de São Paulo. Como se comportaria longe das câmeras?

A pergunta parece deja vu, e é.

Em 2016, Datena era cotado para concorrer ao posto pelo PP, de Paulo Maluf. Já  bagunçava o tabuleiro eleitoral na maior cidade do país quando anunciou, em janeiro, a desistência. “Eu não vou entrar no meio de muita gente que está com as mãos sujas e os pés atolados até onde eu não sei”, justificou, ao vivo, em seu próprio de TV.

A conversa voltou em 2018, agora na disputa pelo Senado. Daquela vez, estava filiado ao DEM. “Não estou preparado”, disse ele, em julho, ao anunciar a nova desistência.

A conversa voltou em 2020, e uma das condições para a disputa desta vez, segundo o colunista da revista Época Guilherme Amado, seria a decolagem do futuro partido de Jair Bolsonaro, o Aliança pelo Brasil. 

Seria um duplo twist carpado na vida partidária do apresentador que foi filiado ao PT durante 23 anos.

De lá para cá, Datena não mostrou restrições em desfilar com políticos de todas as colorações. Foi em uma entrevista a ele, por exemplo, que um cordial governador José Serra anunciou que seria o candidato a presidente pelo PSDB em 2010.

No bolsonarismo, Datena parece transitar à vontade com seu “populismo penal”. A expressão foi usada em 2015 pelo juiz Marcelo Semer ao antecipar, em um artigo publicado no site Justificando, o fenômeno político Datena.

De lá para cá, esse populismo -- que, resumiu Semer, “expõe de forma sensacionalista a desgraça humana, rebaixa a dignidade de supostos autores de crime, não julgados, e glorifica a violência policial” -- não só encontrou uma janela de oportunidade, mas se instalou no poder com mala e cuia. 

O problema, como o juiz já alertava, é que o populismo penal promete resultados, mas não mede consequências: tem muito pouco além do marketing do medo para oferecer. 

Será agora, oficialmente, um filão eleitoral? Ou está apenas calculando até onde vão as águas para anunciar a nova desistência?