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Johnson & Johnson vai suspender venda de talco com substância cancerígena

Item será feito à base de amido de milho (REUTERS/Lucas Jackson)
Item será feito à base de amido de milho

(REUTERS/Lucas Jackson)

  • Johnson & Johnson vai suspender globalmente venda de pó de bebê à base de talco em 2023;

  • Produto é alvo de milhares de ações judiciais por estar atrelado ao desenvolvimento de câncer;

  • Informações apontam que talco possui asbesto, mineral semelhante ao amianto e prejudicial à saúde.

A Johnson & Johnson vai descontinuar a venda de pó de bebê à base de talco em 2023 em todo o mundo, após milhares de reclamações envolvendo a segurança do produto. O item de higiene infantil passará a ser fabricado com amido de milho.

Suspenso há dois anos nos Estados Unidos e Canadá, o talco é alvo de mais de 38 mil ações judiciais, movidas por mulheres que relacionam o surgimento de câncer de ovário ao uso contínuo do produto. Em 2018, informações apontavam que a empresa sabia, há décadas, que o talco continha asbesto, mineral com composição e características semelhantes as do amianto.

Entretanto, em comunicado divulgado nesta sexta-feira (12), a empresa segue negando a presença da substância e os supostos efeitos nocivos que o talco tem para a saúde. "A nossa posição sobre a segurança do pó cosmético permanece inalterada. Apoiamos fortemente as décadas de análise científica por médicos especialistas em todo o mundo, confirmando que o pó de talco para bebês, da Johnson, é seguro, não contém asbesto e não causa câncer", disse a farmacêutica.

A substituição por amido de milho, segundo a Johnson & Johnson, deve-se a uma avaliação e otimização de portfólio, feita para melhor posicionar os negócios e estimular o crescimento a longo prazo. “Esta transição ajudará a simplificar nossas ofertas de produtos, fornecer inovação sustentável e atender às necessidades de nossos consumidores, clientes e tendências globais em evolução”, destacou.

Ao longo dos anos, a Johnson & Johnson foi condenada várias vezes, incluindo no ano passado, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos recusou o recurso da farmacêutica e confirmou a sentença de US$ 2,1 bilhões em indenizações pela venda do talco feito com produtos cancerígenos.