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Jogou muito videogame na infância? Sua memória pode ser melhor hoje!

Fidel Forato
·4 minutos de leitura

Se você jogou videogame durante a infância, pode se considerar uma pessoa de sorte. Pelo menos é a conclusão que um grupo de pesquisadores espanhóis chegou, de forma inesperada, após analisar habilidades cognitivas e de memória entre um grupo que jogou videogame nos primeiros anos de vida e outro que não. Mesmo que as descobertas sejam iniciais, os resultados apontam um novo caminho para entender os efeitos dos games no cérebro.

Inicialmente, a pesquisa da Universidade Aberta da Catalunha (UOC) planejava investigar como o hábito de jogar videogames poderia levar a mudanças estruturais no cérebro, incluindo o aumento do tamanho de algumas regiões. Outro objetivo era entender como os games poderiam causar mudanças funcionais, como a ativação de áreas responsáveis ​​pela atenção no cérebro, por exemplo.

Crianças que jogaram videogame na infância podem ter habilidades cognitivas melhores (Imagem: Reprodução/ Sigmund/ Unsplash)
Crianças que jogaram videogame na infância podem ter habilidades cognitivas melhores (Imagem: Reprodução/ Sigmund/ Unsplash)

Conforme o artigo publicado na revista Frontiers in Human Neuroscience, os pesquisadores espanhóis não conseguiram comprovar, de maneira significativa, que o hábito de jogar videogames, quando adulto, pode afetar essas habilidades de forma duradoura. Por outro lado, descobriram, curiosamente, que pessoas que jogaram durante a infância, independente de manterem o hábito ao longo da vida, têm algumas habilidades cognitivas melhoradas.

"Aqueles que eram jogadores ávidos antes da adolescência, apesar de não jogarem mais, tiveram um desempenho melhor nas tarefas de memória de trabalho, que exigem reter e manipular mentalmente informações para obter um resultado", explica Marc Palaus, um dos pesquisadores do projeto e PhD pela UOC.

Entenda a pesquisa

Para a metodologia, foram selecionados 27 voluntários de idades entre 18 e 40 anos, com e sem qualquer tipo de experiência com videogames. Durante um mês, cada participante jogou, por 10 vezes, um videogame por cerca de 1,5 h. Fato interessante: o título selecionado foi um clássico para os gamers, o Super Mario 64, da Nintendo.

Antes de iniciar a sessão, no final e quinze dias depois, os voluntários tiveram suas habilidades cognitivas testadas. Além disso, o estudo também incluiu 10 sessões de estimulação magnética transcraniana (EMT) e investigou os efeitos, de forma simultânea, ao uso dos videogames.

A EMT é uma estimulação cerebral não invasiva. "Ela usa ondas magnéticas que, quando aplicadas na superfície do crânio, são capazes de produzir correntes elétricas em populações neurais subjacentes e modificar sua atividade", detalha Palaus. A ideia era entender se a combinação de videogames e esse tipo de estimulação melhorariam o desempenho cognitivo, mas não foi caso.

"Os videogames são uma receita perfeita para fortalecer nossas habilidades cognitivas, quase sem que percebamos", explica Palaus. Entretanto, o pesquisador espanhol relatou que essas vantagens tiveram um efeito de tempo limitado no desempenho de outras atividades não vinculadas aos videogames, dentro do cérebro humano.

Pesquisa espanhola aponta para possíveis benefícios no cérebro de crianças que jogaram videogames durante a infância (Imagem: Reprodução/ Pete Linforth/ Pixabay )
Pesquisa espanhola aponta para possíveis benefícios no cérebro de crianças que jogaram videogames durante a infância (Imagem: Reprodução/ Pete Linforth/ Pixabay )

"Nosso objetivo era alcançar mudanças duradouras. Em circunstâncias normais, os efeitos dessa estimulação podem durar de milissegundos a dezenas de minutos. Queríamos alcançar um melhor desempenho de certas funções cerebrais que duram mais do que isso", afirma Palaus. Uma das possibilidades, pode ser um número muito baixo de sessões — apenas 10 partidas.

Nos resultados, "todos os participantes melhoraram seu desempenho em videogames, mas não encontramos um efeito sinérgico de estimulação e treinamento em videogame. Tampouco encontramos melhorias cognitivas relacionadas à estimulação", pontua o artigo. Por outro lado, "a experiência inicial com videogames estava relacionada a melhorias na memória de trabalho e controle inibitório. Este resultado, embora exploratório, destaca a influência de variáveis ​​individuais e experiências anteriores na plasticidade cerebral".

Videogames e as crianças

"Devido a esta falta de efeito observada, exploramos outras variáveis ​​que poderiam ter influenciado nossos resultados, mostrando que a experiência inicial em jogos teve um impacto na melhoria de certas funções cognitivas. Esse resultado apoia a ideia de que os videogames podem modular as funções cognitivas a longo prazo", refletem os cientistas no artigo sobre as descobertas.

"Os efeitos observados apenas em participantes com experiência inicial em jogos corroboram a observação de que jogar games pode ter um impacto nas funções cognitivas em longo prazo", defende o artigo. Além disso, os resultados "fornecem informações valiosas sobre as limitações de estimular cérebros saudáveis ​​e os possíveis efeitos benéficos da exposição a videogames".

Para ler o estudo espanhol completo, publicado na Frontiers in Human Neuroscience, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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