Mercado abrirá em 3 h 12 min

João Santana diz que Lula deveria ser vice de Ciro em 2022

César Felício
·3 minuto de leitura

Marqueteiro afirma que o petista é o melhor perfil de vice que se pode ter Delator da Lava-Jato, o marqueteiro João Santana ficou extremamente à vontade para falar sobre o futuro nesta segunda-feira durante o programa “Roda Viva”, na TV Cultura, mas foi acuado pelos entrevistadores e não conseguiu esconder o desconforto ao comentar sobre o seu passado. Preso em fevereiro de 2016, Santana foi condenado pelo então juiz Sergio Moro a sete anos e seis meses pelo crime de lavagem de dinheiro. Ele foi absolvido da acusação de corrupção. Santana aceitou responder sobre a hipótese de voltar ao marketing político. Disse que não sabe se quer voltar, mas que poderia trabalhar para uma candidatura de esquerda, mas não para o PT, onde marcou época ao conduzir a agressiva campanha de reeleição de Dilma Rousseff em 2014. Ele mostrou entusiasmo com o ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT). “Se a esquerda se unir em torno de Ciro Gomes ele pode se tornar extremamente viável”. Sobretudo, na opinião dele, se for construída uma inusitada chapa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como vice. “O Lula está em uma condição que não pode nem perder nem ganhar, porque assumiria o governo sangrando. Ele é o melhor perfil de vice que se pode ter.” Além de Ciro, o marqueteiro convertido em delator sugeriu também o senador Jaques Wagner (PT-BA). Para Santana, o presidente Jair Bolsonaro é um bom comunicador com perspectivas ruins para uma reeleição em 2022. “O Bolsonaro é o pior e o melhor da comunicação dele. Veja a live no Facebook, as portarias no Alvorada... Aquilo ali é um teatro vivo. Ele pauta a agenda política. Mas qual o problema? Ele só pode viver de exageros, e por viver de exageros se exaure. O grotesco deixa de fascinar e a benesse se exaure.” Segundo Santana, “há uma bolha do coronavoucher” que protege o presidente da impopularidade, mas que é frágil. “Ele está querendo uma transposição perigosíssima, que é deixar de ser um herói moral para ser um herói social. Ele pode chegar a 2022 com a oferta simbólica dele enfraquecida. A entrada dele no Nordeste é difícil e de alto risco. Voto é informação e predisposição a longo prazo.” Para Santana, em 2018 Bolsonaro se beneficiou de uma conjunção de fatores que contrariaram a lógica eleitoral. “Ele era há muitos anos uma máscara estranha em busca de um tempo estranho”. O marqueteiro foi acuado contudo ao se explicar sobre o uso de caixa dois na campanha de 2014, a sua relação com os ex-presidentes Lula e Dilma e as peças publicitárias de campanha negativa que fez contra Marina Silva naquela eleição e Gilberto Kassab na eleição municipal em São Paulo em 2008. “Você mentiu, mentiu de maneira contumaz ao negar para mim e para outros jornalistas as irregularidades, até com gravação de vídeo”, lembrou o jornalista Fernando Rodrigues, um dos entrevistadores. “Menti! Todo mundo mente! A mentira é um atributo humano”, disse Santana, em meio a uma resposta exaltada. Santana disse que a propaganda em que o PT afirmou que a proposta de independência do Banco Central feita por Marina equivalia a tirar comida do prato das pessoas foi “um debate de ideias, com exagero retórico”, e que o comercial com insinuações sobre a sexualidade de Kassab foi “um erro técnico”. O marqueteiro disse que Dilma era “intrinsecamente honesta” e que nunca teve conhecimento de nada que desabonasse a honestidade pessoal de Lula, embora os tenha delatado, e que caixa 2 em campanha eleitoral era “um fato culturalmente e socialmente aceito”. “Muitos jornalistas saíam para fazer campanha, ganhavam em três meses o que não ganhariam em três anos e recebiam por caixa dois”, disse. Confrontado a citar exemplos de forma concreta para evitar a generalização que atinge a toda imprensa, Santana desconversou. Instado a comentar a operação que o condenou, Santana fez uma avaliação “técnica”. “A Lava-Jato foi o maior esquema de marketing político do Brasil. A Lava-Jato, sabendo ou não sabendo, fez um coquetel de três vertentes perigosíssimas: destruição do inimigo, mobilização popular e macarthismo”.