Mercado abrirá em 3 h 52 min
  • BOVESPA

    119.710,03
    -3.253,98 (-2,65%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    48.748,41
    -906,88 (-1,83%)
     
  • PETROLEO CRU

    64,67
    -1,41 (-2,13%)
     
  • OURO

    1.815,00
    -7,80 (-0,43%)
     
  • BTC-USD

    50.332,12
    -6.489,26 (-11,42%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.364,63
    -199,20 (-12,74%)
     
  • S&P500

    4.063,04
    -89,06 (-2,14%)
     
  • DOW JONES

    33.587,66
    -681,50 (-1,99%)
     
  • FTSE

    6.824,75
    -179,88 (-2,57%)
     
  • HANG SENG

    27.718,67
    -512,37 (-1,81%)
     
  • NIKKEI

    27.448,01
    -699,50 (-2,49%)
     
  • NASDAQ

    12.951,75
    -46,75 (-0,36%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,4178
    +0,0123 (+0,19%)
     

JBS volta às compras e adquire empresa de 'plant-based' na Europa por 341 mi de euros

Roberto Samora
·5 minuto de leitura
Logotipo da JBS visto em unidade da companhia na cidade de Jundiaí (SP)

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A JBS, maior produtora de carnes do mundo, voltou às compras, mas dessa vez para adquirir uma companhia de proteínas vegetais, a europeia Vivera, por 341 milhões de euros, de olho no forte crescimento do mercado vegetariano, conforme fato relevante divulgado nesta segunda-feira.

Com um portfólio de 50 produtos, a Vivera tem três unidades fabris na Holanda, além de um centro de pesquisa e desenvolvimento no mesmo país, para atender um segmento que cresce cerca de 20% ao ano na Europa, especialmente entre holandeses, alemães e ingleses, que respondem por 60% do mercado de "plant-based" europeu.

As ações da JBS subiam mais de 4% na tarde desta segunda-feira, com analistas citando que o mercado de produtos vegetarianos é de maior valor agregado. Eles disseram ainda que a transação da Vivera colabora para a empresa diversificar sua atuação, ao mesmo tempo em que aponta que a companhia está de volta às aquisições.

Segundo o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, a Vivera dará "musculatura" em "plant-based" para a companhia, que ainda tem um negócio relativamente pequeno nesse segmento. Conta com a empresa Planterra, nos EUA, que comercializa a marca OZO, além da linha Incrível, da brasileira Seara, que detém liderança nacional em hambúrgueres vegetais.

"É um segmento que cresce globalmente... Seremos um 'player' relevante nesse setor, a aquisição faz sentido estratégico, acelera muito a nossa estratégia no segmento de 'plant-based'", disse Tomazoni à Reuters.

"O segmento de 'plant-based' na JBS é pequeno, mas o importante é que ele tem altas taxas de crescimento", acrescentou o CEO, sem citar números.

Enquanto a Vivera fatura cerca de 100 milhões de dólares ao ano, configurando-se na terceira maior empresa de "plant-based" da Europa, disse o CEO, a receita líquida consolidada da JBS foi de 270 bilhões de reais em 2020, com a maior parte sendo originária do Hemisfério Norte.

"É importante... a Vivera está em 25 países na Europa", destacou Tomazoni, salientando que a JBS também está comprando a tecnologia da companhia europeia, que poderá ser compartilhada com o grupo no futuro, após a aprovação do negócio pelas autoridades reguladoras.

O negócio anunciado pela JBS nesta segunda-feira vai na linha de movimento de seus concorrentes, que também buscam tirar proveito do crescimento do mercado de produtos vegetarianos.

Em maio do ano passado, a Marfrig Global Foods anunciou a criação da joint venture PlantPlus Foods com a ADM para fabricação e venda de carne e outros produtos com base vegetal nas Américas do Sul e do Norte.

A BRF, outra competidora da JBS, também têm uma linha de produtos vegetarianos, incluindo hambúrger e nuggets vegetais.

O executivo da JBS disse ainda que a Vivera tem crescido nos últimos anos entre 25% a 30% ao ano, também graças a um time de administração competente.

"Além do tamanho do negócio, contou muito para nós a qualidade do time de gestão, um time com muita experiência, passagem por grandes empresas, e que fez um trabalho extraordinário de reposicionamento e crescimento da marca Vivera nos últimos anos", destacou.

Ele ressaltou que produtos como os da Vivera, que têm entre as principais matérias-primas as proteínas de soja e de ervilha, além de cogumelos e beterraba, contam com uma "aceitação grande junto a uma nova geração de consumidores" e também deverão ajudar o mundo a alimentar sua população crescente.

A JBS disse em comunicado que, para fomentar "o espírito empreendedor" da Vivera, vai manter a empresa como uma unidade de negócios autônoma, mantendo sua atual liderança.

"Juntar forças com a JBS nos dá acesso a recursos significativos e capacidades para acelerar nossa atual trajetória de forte crescimento", disse o CEO da Vivera, Willem van Weede, conforme nota da JBS.

SENTIDO ESTRATÉGICO

A última aquisição de peso da JBS envolveu a norte-americana Empire Packing, por 238 milhões de dólares, confirmou Tomazoni ao ser questionado sobre a compra da companhia que tem a marca Ledbetter, de cortes de bovinos, suínos e produtos processados, anunciada em fevereiro do ano passado.

Relatório do BTG Pactual destacou que a JBS "está de volta ao modo de M&A", tendo anunciando seis aquisições nos últimos dois anos, das quais cinco envolvem produtos de valor agregado.

Antes da Empire Packing, a companhia havia divulgado a aquisição dos negócios de margarina da Bunge, em 2019, lembrou o banco de investimento.

"O negócio (da Vivera) também pode reforçar o que esperar dessa nova rodada de crescimento de inorgânico da JBS", disseram os analistas do BTG Thiago Duarte e Henrique Brustolin, lembrando que preocupações com o balanço patrimonial para tais movimentos já foram resolvidas.

O analista do Bradesco BBI Leandro Fontanesi também avaliou a transação como positiva, dizendo que ela "parece alinhada com a estratégia da empresa de aumentar sua exposição a produtos de valor agregado", além de fazer sentido, considerando a "tendência mundial de aumento da penetração dos produtos de 'plant-based' nas cestas de consumo".

Segundo o CEO da JBS, a empresa está sempre em busca de oportunidades.

"Temos olhar muito ativo no mercado M&As, mas tem que fazer sentido estratégico e estar no preço certo", comentou ele, ecoando a lógica da aquisição da Vivera.

Questionado, ele repetiu que a listagem de unidade da JBS nos Estados Unidos deverá ocorrer e que é apenas uma questão de "quando", e não "se".

Mas evitou dar detalhes. "Vai sair... Estamos avaliando qual é o melhor modelo que traga maior valor ao acionista."

(Com reportagem adicional de Paula Arend Laier)