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JBS vai rastrear fornecedores indiretos na Amazônia em 5 anos

Tatiana Freitas
·4 minutos de leitura

(Bloomberg) -- A JBS, maior produtora de carne do mundo, decidiu dar uma resposta ao mundo diante das crescentes críticas sobre a abordagem da empresa ao desmatamento na Amazônia.

A empresa está desenvolvendo uma plataforma blockchain que permite monitorar todos os seus fornecedores de gado na Amazônia, disse o diretor-presidente Gilberto Tomazoni. Segundo ele, o novo sistema de rastreamento levará até cinco anos para ser totalmente implantado. A iniciativa aborda o principal obstáculo para combater o desmatamento relacionado à pecuária: os fornecedores indiretos de gado.

“Vamos resolver o monitoramento dos fornecedores de nossos fornecedores de uma vez por todas”, disse Tomazoni em entrevista por telefone.

A JBS disse que não compra gado diretamente de áreas desmatadas na Amazônia, onde monitora 50 mil produtores diariamente em uma área maior do que a Alemanha. Na última década, a empresa bloqueou 9 mil pecuaristas devido a práticas irregulares. Ainda assim, como todos outros frigoríficos brasileiros, a empresa não consegue rastrear o gado em toda sua cadeia de abastecimento. Fornecedores indiretos incluem fazendas de cria e recria que vendem os animais para operações maiores que engordam o gado e o vendem para unidades de abate.

A nova medida da JBS ocorre dois meses depois que a Marfrig Global Foods, sua maior concorrente no Brasil, anunciou um plano de cinco anos para implementar seu sistema de rastreamento de fornecedores indiretos.

O problema em rastrear toda a cadeia de abastecimento juntamente com práticas irregulares de alguns pecuaristas são vistos como alguns dos principais vetores do desmatamento da Amazônia.

Nos últimos meses, a JBS foi acusada pelo Greenpeace, Anistia Internacional e The Bureau of Investigative Journalism de comprar gado criado em áreas desmatadas. Em julho, a Nordea Asset Management decidiu se desfazer de ações da JBS por causa de sua abordagem na Amazônia.

Promessa de 2009

A JBS, assim como Marfrig e Minerva, se comprometeu a eliminar vínculos com o desmatamento na Amazônia em 2009, após um relatório do Greenpeace. Na última década, produtoras de carne bovina desenvolveram sistemas para monitorar todos fornecedores diretos, mas grupos ambientais dizem que demoraram muito para monitorar os indiretos.

A JBS aposta que sua nova plataforma proporcionará sigilo suficiente para convencer os fornecedores diretos a permitirem que a empresa tenha acesso às GTAs (Guias de Trânsito Animal), documentos com informações dos fornecedores indiretos e do deslocamento dos animais, hoje mantidos em sigilo. O acesso a essa documentação é fundamental para que empresas de carne rastreiem o movimento do gado.

“Vamos sinalizar aos fornecedores de gado que temos um prazo para isso - depois de 2025, fazer parte da plataforma será uma condição para vender gado para a JBS”, disse Marcio Nappo, diretor de sustentabilidade da JBS. A expectativa da empresa é ter a plataforma pronta ainda este ano e iniciar um programa piloto de monitoramento em Mato Grosso em 2021.

As ações da JBS caíram cerca de 13% desde janeiro, apesar de a empresa apresentar resultados recordes. Além das preocupações dos investidores com a Amazônia, a empresa também está no radar devido aos casos de Covid-19 em frigoríficos nos EUA, Brasil e Austrália. Também pesa sobre as ações a esperada oferta de ações da empresa detidas pelo BNDES, que planeja vender sua participação de aproximadamente 20% na JBS.

Ainda assim, Tomazoni disse que o anúncio sobre a Amazônia não é uma resposta ao mercado.

“Não olhamos para a plateia para definir a organização do time. Olhamos para a ‘big picture’, queremos construir algo verdadeiro que vai impactar a vida das pessoas”, disse Tomazoni. “O desempenho das ações no curto prazo não é algo que me tira o sono, porque estamos fazendo tudo o que é correto para garantir a sustentabilidade da empresa no longo prazo.”

O plano da JBS para combater o desmatamento na Amazônia também envolve o apoio da empresa a produtores para regularizar sua situação ambiental. A empresa também está empenhada em fornecer assistência aos pecuaristas para aumentar a produtividade.

A empresa anunciou ainda que criará um fundo para financiar projetos de desenvolvimento sustentável da região. A meta é levantar R$ 1 bilhão até 2030, enquanto a JBS investirá R$ 250 milhões em cinco anos. A cada contribuição de terceiros ao fundo, a JBS igualará o valor em até R$ 500 milhões até 2030.

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©2020 Bloomberg L.P.