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JBS, BRF, Marfrig e Minerva declaram carga 'livre de coronavírus' à China

Por Ana Mano e Nayara Figueiredo
Funcionário com máscara de proteção contra o coronavírus em unidade da JBS em Passo Fundo (RS)

Por Ana Mano e Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) - Os frigoríficos brasileiros JBS, Marfrig e Minerva assinaram declarações pedidas por autoridades chinesas dizendo que suas exportações estão livres do coronavírus, fontes das empresas familiarizadas com o assunto.

Já a BRF, maior exportadora de frango no mundo e fornecedora também de carne suína, disse à Reuters em nota que assinou na última sexta-feira a declaração pedida pela China "assegurando a qualidade e segurança de seus produtos".

"Vale destacar que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras autoridades de saúde reconhecidas no mundo inteiro, não há evidências de que a Covid-19 esteja sendo transmitida por alimentos ou suas embalagens", ressaltou a BRF.

A companhia ainda afirmou que estudos feitos sobre o novo coronavírus também mostram que a transmissão ocorre de pessoa para pessoa ou pelo contato próximo com pessoas infectadas.

Em geral, as declarações assinadas pelos frigoríficos são válidas tanto para as cargas que estão sendo contratas quanto para os contêineres que estão chegando aos portos chineses.

"A China fez esse pedido a praticamente todas a empresas de quem eles importam, do Brasil e diversos outros países. A Marfrig assinou assim como todas as demais, praticamente no mesmo dia que veio a solicitação", disse a fonte sob condição de anonimato.

O interlocutor da Minerva afirmou que a solicitação inicial partiu de autoridades chinesas para as empresas importadoras e estas repassaram os pedidos a seus fornecedores estrangeiros.

Segundo ele, a demanda chegou aos frigoríficos exportadores no último fim de semana e a resposta, apesar de assegurar a sanidade das cargas em todos os casos, "não é uma carta padrão".

Questionadas, JBS, Marfrig e Minerva não quiseram se posicionar.

Os principais países exportadores de carne, como Brasil e Estados Unidos, tiveram milhares de casos da Covid-19 entre trabalhadores de frigoríficos.

A China intensificou as inspeções às importações de carne depois que um novo surto de infecções pelo vírus foi identificado em Pequim, no mercado atacadista Xinfadi.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) confirmou em nota que os exportadores brasileiros receberam pedidos de declaração feitos pelos importadores de que cumprem a norma chinesa, que garante a segurança dos alimentos.

A entidade não informou se alguma empresa associada havia assinado documentos solicitados pelas autoridades chinesas.

"A ABPA e as empresas associadas reiteraram que seguem as normas estabelecidas pela FAO e pela OMS, bem como as regulações do Brasil e da China, que tratam da segurança dos alimentos e da prevenção frente a Covid-19."

Somente nos setores de aves e suínos, as exportações brasileiras para a China podem superar 1 milhão de toneladas em 2020, ante 834 mil toneladas embarcadas no ano passado, conforme estimativa da associação.


(Edição de Roberto Samora)