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'Jamais transigiria com a minha biografia', diz Rial sobre rombo na Americanas

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 28.10.2019 - O ex-presidente da Americanas Sergio Rial. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 28.10.2019 - O ex-presidente da Americanas Sergio Rial. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-presidente da Americanas Sergio Rial rompeu o silêncio e, nesta terça-feira (17), publicou no LinkedIn sua versão sobre a notícia bombástica de que o balanço da companhia que presidia deixou de contabilizar dívidas de R$ 20 bilhões.

Em sua postagem, ele afirma que a motivação dele ao aceitar o cargo foi levar a companhia, prestes a completar um século, ao crescimento.

Para isso, Rial diz ter entrevistado executivos remanescentes para entender suas preocupações e perspectivas para a empresa.

"Nessas conversas, informações e dúvidas foram compartilhadas e com o natural aprofundamento para entendê-las e dar-lhes direcionamentos conjuntamente com o novo CFO, Andre Covre, chegamos ao quadro do fato relevante com transparência e fidedignidade", escreveu. "Quaisquer especulações ou teorias distintas disso são leviandades. Eu jamais transigiria com a minha biografia."

Para levar adiante esse intento, Rial afirma ter obtido apoio integral dos acionistas. "A conclusão do diagnóstico inicial surgiu da necessidade premente de correção de rota. E essa correção partiu da transparência e do apoio incondicional que recebi do CA [Conselho de Administração] e dos acionistas de referência", disse. "Ser líder não é ser corajoso, mas ser responsável e ético. Não é ser herói ou heroína, mas ter a resiliência para defender a verdade e fazer o que é certo."

Na mensagem, o executivo explica ainda seu pedido de demissão. "Ela [saída] decorre do entendimento da necessidade de abrir espaço para que a empresa pudesse se reestruturar de um ponto de partida totalmente distinto do que eu esperava encontrar", escreveu.

"É preciso saber o momento de se posicionar dentro de um novo contexto que se apresenta. Foi o que fiz, sem me descomprometer em ajudar no que estivesse ao meu alcance."

Como noticiou a Folha de S.Paulo, Rial assumiu o comando da Americanas na virada do ano e, segundo executivos próximos, em menos de 48 horas se deparou com um problema que acabou se transformando em escândalo contábil bilionário.

Segundo relatos, dois executivos do grupo chegaram a ele com um relatório mostrando o que lhes parecia um erro de procedimento nos lançamentos. Inicialmente, Rial não teria se dado conta da gravidade do rombo, confundindo as ordens de grandeza e perguntando se eram R$ 20 milhões.

Ainda segundo relatos, Rial achou que se tratava de uma inconsistência "menor", que exigiria apenas um ajuste no balanço. Para uma empresa do porte da Americanas, R$ 20 milhões seria mesmo "nada", nas palavras de quem presenciou a cena.

Ao ouvir que eram R$ 20 bilhões, de acordo com executivos da varejista, chamou toda a equipe emergencialmente, incluindo o diretor de Relações com Investidores à época, André Covre. Os dois pediram demissão dez dias após a posse de Rial -e, segundo os executivos ouvidos pela Folha de S.Paulo, oito dias após tomarem pé da situação.

Rial acionou imediatamente Lemann, Sicupira e Telles, contou o que se passava na Americanas, pediu demissão, e concordou em prestar uma assessoria informal aos acionistas na tentativa de salvar a companhia, de acordo com pessoas próximas ao executivo.

A revelação de inconsistências contábeis da ordem de R$ 20 bilhões acionou um mecanismo contratual em que os credores podem cobrar antecipadamente a dívida integralmente. Especula-se no mercado que ela seja de cerca de R$ 40 bilhões, mas executivos da rede dizem que deve chegar a R$ 30 bilhões, no máximo.

O escândalo fez consultores, concorrentes e agentes do mercado debaterem se Rial sabia ou não do problema contábil quando aceitou presidir a Americanas.

Segundo pessoas próximas, ele afirma que não sabia. Interlocutores do executivo na empresa afirmam que ele concordou em dirigi-la tendo acesso a dados abertos. Dizem ainda que, por se tratar de uma companhia listada na B3, o ex-banqueiro só poderia fazer uma due dilligence (vistoria prévia) já com um contrato assinado. Foi isso o que ocorreu, ainda segundo relatos.

O ex-banqueiro queria utilizar sua experiência acumulada no Santander --instituição que ele presidiu e consolidou como importante rede varejista-- e na Marfrig para reposicionar a Americanas.